Ibope vem melhor do que expectativas

O dia foi de otimismo. Nova York não atrapalhou, a tensão política doméstica se reduziu, o Ibope foi um mal menor e o risco Brasil teve leve recuo. Por todos estes motivos, o Ibovespa fechou ontem em alta de 2,57% e o giro financeiro somou R$ 1,109 bilhão.

A avaliação majoritária no mercado é de que podem surgir pequenos escândalos aqui e ali, mas nada que atinja diretamente o presidente da República nem seus homens-chave. Já a pesquisa CNI-Ibope até agradou. Assim funciona o mercado: esperava-se uma queda ainda maior da aprovação do governo Lula, assim como da confiança no presidente. Houve recuo de 12 pontos e 9 pontos, respectivamente. Temia-se um tombo em torno de 20 pontos.

O resultado das contas públicas em fevereiro surpreendeu. Houve superávit primário de apenas R$ 3,295 bilhões, elevando para R$ 10,246 bilhões, ou 3,98% do PIB, o saldo acumulado no primeiro bimestre. O forte déficit primário das estatais em fevereiro, de R$ 3,724 bilhões, não chegou a tirar o sono do mercado, apesar de inesperado.




Mercado deve apostar em novo corte da Selic

''Com 54% de aprovação ao governo, não é hora de apostar contra.'' Assim um operador definiu o ambiente no mercado de juros, depois de conhecer os resultados da pesquisa realizada pelo Ibope. Profissionais acreditam que, na próxima semana, se o noticiário do final de semana não atrapalhar, o mercado deve retomar os negócios mais tranquilo, de olho na inflação.

A aprovação ao governo caiu de 66% para 54% (falava-se em uma queda de 20 pontos porcentuais). E a confiança no presidente Lula recuou de 69% para 60%. ''Essa piora já estava no preço'', afirma um operador, lembrando que, tecnicamente, um índice de aprovação de 54% é considerado ainda elevado.




Fluxo de recursos favoreceu alta do dólar

O mercado cambial ''precificou'' ontem a expectativa de queda na avaliação do governo Lula. Tesourarias de bancos e empresas importadoras reforçaram as ordens de compra durante o dia, estimuladas pelos rumores de que os dados da pesquisa seriam ruins. Além disso, ninguém quis passar o fim de semana descoberto, disse um operador.

O fluxo de recursos ligeiramente negativo também favoreceu ainda a alta do dólar. Pela manhã, houve forte demanda de importadores e de tesourarias de bancos para remessas financeiras de dividendos ao exterior. O avanço do ''pronto'' até a máxima de R$ 2,948 (+0,38%) chegou a atrair exportadores à venda, mas essa oferta teria sido insuficiente para equilibrar o fluxo.

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