BC acena com possibilidade de usar banda da meta

O Copom amenizou o discurso e reforçou as expectativas de que a taxa de juro poderá seguir em queda. Ao admitir que boa parte da pressão sobre a inflação vem de choques de oferta sobre os quais a política monetária não tem interferência , o Copom indicou ao mercado que pode abrir mão de perseguir incessantemente o centro da meta de inflação.

No parágrafo 25 da ata, o Copom explica que ''parte considerável do aumento da inflação no atacado nos últimos meses pode ser explicada por choques de oferta'', dentre eles o aumento da Cofins e a alta de commodities. E lembrou ainda que, em 2002, em situação semelhante, o Copom fez revisões do objetivo a perseguir naquele ano e estabeleceu, em seguida, metas ajustadas para a inflação de 2003 e 2004.

A reação do mercado ao documento foi ''empinar'' a curva de juros. Ou seja, no curto prazo, os contratos reduziram as taxas. Mas, nos prazos mais longos, as taxas subiram. Isso significa que, para o mercado, o tom mais moderado da ata sugere que pode haver corte de juros ainda que a inflação fique um pouco mais elevada (possivelmente dentro do intervalo estabelecido pela banda da meta).




Trégua na crise, leva Ibovespa a fechar em alta

A trégua na crise política, a ata do Copom e a forte recuperação das bolsas americanas levaram o Ibovespa a fechar em alta de 0,07%, com giro financeiro de R$ 1,159 bilhão. A Bolsa paulista só não subiu com força porque os investidores têm mantido o padrão de realizar lucros ao final do pregão, pois ainda não é de bom tom dormir (muito) comprado.

A leitura da ata do Copom que interessou aos investidores em ações foi breve: o Banco Central poderá usar a banda de 2,5 pontos porcentuais para acomodar choques de oferta, mas tudo mostra que os choques recentes não tiveram impacto nos preços ao consumidor, o que permitiu a queda de 0,25 ponto da Selic.




Dólar comercial manteve trajetória de alta

O dólar comercial manteve a trajetória de alta iniciada segunda-feira, sustentado pelo fluxo de recursos negativo e a continuidade dos ajustes de posições por tesourarias de bancos. O mercado monitorou os conflitos geopolíticos externos, os indicadores norte-americanos sobre produção no quarto trimestre e pedidos de auxílio-desemprego, a articulação da oposição ao governo Lula, a ata do Copom, entre outros. Mas foram fatores técnicos que prevaleceram nas decisões de negócios ontem.

O mercado de títulos da dívida não se beneficiou da recuperação das Bolsas em Nova York e da Bovespa, por causa do ligeiro aumento das taxas dos títulos do Tesouro norte-americano.

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