Temperatura sobe; boataria sobre Dirceu afeta mercados



Risco Brasil, dólar e juros em alta; ações em queda. O estrago político no governo Lula continua a vitimar o mercado financeiro, afetado ainda pelo risco do terrorismo internacional. Cresceu a irritação dos investidores com a falta de unidade do discurso do governo, cujo último capítulo foi uma entrevista do ministro José Dirceu atirando contra o PSDB. E sobrou boataria de que o ministro vai cair. O Ibovespa fechou em queda de 1,04%, com volume financeiro de R$ 1,085 bilhão.

O vácuo de poder dá força redobrada à oposição e até aos aliados. O PMDB ressurgiu ontem, com nota pedindo mais ousadia para superar os ''obstáculos que constrangem o crescimento''. Na voz de Jorge Bornhausen, o PFL disse que a equipe de governo é fraca e o presidente Lula não vem demonstrando autoridade. Pior: mesmo que quisesse, segundo o presidente do PFL, Lula não poderia fazer uma reforma ministerial por não dispor de quadros.

Este bate-boca político que parece não ter fim ofuscou pelo menos uma boa notícia do dia: o País registrou superávit de US$ 196 milhões nas contas correntes em fevereiro, com a ótima contribuição de US$ 1,024 bilhão de investimentos diretos. Já o desemprego recorde de 19,8% da PEA na região metropolitana de São Paulo, de acordo com o Seade/Dieese, seria um motivo a mais para o governo persistir no movimento de queda dos juros.



Mercado eleva taxas de juros



O mercado teve motivos de sobra para elevar as taxas projetadas no mercado de futuros. Ontem, vieram más notícias de todos os lados. No exterior, o temor de uma onda de terrorismo abateu os mercados internacionais; por aqui, a crise política parece ganhar contornos mais definidos e preocupantes; e, no campo da inflação, o núcleo do IPCA-15 subiu e colocou em dúvida as convicções sobre a escala de queda da Selic. O mercado corrigiu toda a curva de juros, em um dia de forte volume financeiro. Foram contabilizados 610.753 contratos entre todos os prazos.




Dólar comercial permanece em alta



O dólar comercial permaneceu em alta, pelo terceiro dia consecutivo, para fechar a R$ 2,93 (alta de 0,51%), maior cotação desde 26 de fevereiro (R$ 2,935). Tesourarias de bancos teriam antecipado ajustes de posições compradas, segundo operadores, pressentindo uma piora dos cenários interno e externo. O giro financeito total à vista aumentou 18%, para cerca de US$ 1,408 bilhão.

Novas ameaças de atentados terroristas, desta vez na França, a saída do deputado Miro Teixeira da liderança do governo na Câmara, rumores sobre eventual substituição do ministro da Casa Civil desmentidos após o fechamento do câmbio e a insatisfação e críticas dos partidos da base aliada à condução do governo aumentaram a insegurança no mercado.(Agência Estado)

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