MERCADO FINANCEIRO
Percepção de crise faz mercado rejeitar títulos longos
O mercado voltou ontem a pedir taxas salgadas pelos títulos públicos de longo prazo e o Tesouro recusou as propostas. Além das LFTs títulos pós-fixados, que têm tido pouca aceitação pelo mercado ultimamente , o Tesouro deixou de vender também as NTN-Fs, títulos prefixados que, diferentemente das LTNs, oferecem a vantagem de pagar um cupom semestral. O que os dois títulos têm em comum é o prazo longo: as LFTs ofertadas vencem em 2009 e as NTN-Fs em 2008.
O clima no mercado externo continua tenso, por conta dos atentados que vêm ocorrendo nos últimos dias. E isso pode, em algum momento, comprometer o fluxo positivo de recursos aos mercados emergentes, que tem sustentado o mercado doméstico.
No curto prazo, de fato, o humor continua tranquilo. Ontem, apesar da volatilidade que se viu no mercado externo, os DIs fecharam em ligeira queda. Segundo operadores, há um certo otimismo em relação à inflação de agora em diante, que pode permitir a continuidade dos cortes graduais da Selic.
Governo exige unidade de discurso
A fuga dos investidores estrangeiros dos mercados emergentes teve sequência, menos nos títulos da dívida externa e mais no mercado acionário paulista. No período da tarde, o Ibovespa testou várias mínimas e fechou em queda de 2,11%, no pior momento do dia, em 21.204,9 pontos. O volume financeiro somou R$ 953 milhões.
No cenário doméstico, reduziu-se o ruído político (mas não foi eliminado), depois que o ministro Luis Gushiken afirmou que o governo exige unidade de discurso e ação e que estão vetadas divergências públicas entre ministros. O estopim da insatisfação do presidente Lula teria sido as agressões verbais do ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) a Guido Mantega (Planejamento).
Dólar fecha em alta pelo segundo dia
O dólar comercial fechou em alta pelo segundo dia seguido, cotado a R$ 2,915 (+0,07%). O risco de um novo atentado terrorista, a persistente atenção à política doméstica e o fluxo financeiro negativo determinaram o comportamento das cotações. O giro financeiro total à vista ficou estável, em cerca de US$ 1,165 bilhão.
As remessas de dividendos para o exterior por empresas e bancos pela manhã teriam sido mais volumosas do que as vendas de exportadores, especialmente à tarde, desequilibrando o fluxo. Como termina no fim do mês o prazo para as companhias abertas fecharem seus balanços, é possível que ocorram novas remessas de dividendos ao exterior nos próximos dias e semanas, disseram operadores. (Agência Estado)





