MERCADO FINANCEIRO
Risco global e crise política abatem mercados
O risco político global, acentuado pela morte do líder espiritual e fundador do Hamas, xeque Ahmed Yassin, voltou a dar as cartas nos mercados ontem. Sobretudo porque foram tropas israelenses as responsáveis pelo assassinato de Yassin, e o Hamas já prometeu retaliar Israel. O Ibovespa fechou em queda forte de 2,68% e o volume financeiro minguou, totalizando R$ 691 milhões.
O fraco giro evidenciou o movimento de total aversão ao risco. Como de praxe, os investidores fugiram para os Treasuries americanos, o que provocou forte queda de suas taxas. O risco Brasil disparou para 553 pontos-base. Se havia alguma esperança de retomada de captações externas das empresas brasileiras, este sonho passou a ser menos provável.
As bolsas fecharam em baixa da Ásia aos Estados Unidos, passando pela Europa. Londres recuou 1,90%; Paris perdeu 2,05%; e Frankfurt caiu 2,35%. Ao risco global somou-se a nada confortável situação do governo, alvo de críticas de seus aliados e sujeita a bate-boca entre ministros.
Tesouro insiste em vender papéis longo
Embora o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, José Antônio Gragnani, considere ''natural'' o fato de o governo não ter aceito ontem nenhuma das propostas apresentadas no leilão de troca de LFTs, operadores enxergam uma certa queda-de-braço do mercado com o Tesouro. Segundo esses profissionais, o Tesouro tem insistido em vender papéis longos (as ofertas de LFTs têm envolvido títulos com vencimento em 2009) e o mercado está absolutamente avesso a carregar um risco tão longo.
Ontem, a notícia do dia foi o assassinato de Yassin. Lá fora, há preocupações de que a morte do líder islâmico possa incitar radicais do terrorismo internacional. Militantes e líderes do grupo prometeram relatiação ao ato do exército israelense, ameaçando também os EUA.
Câmbio foi atingido pela piora das Bolsas
O mercado cambial foi contagiado pela piora das Bolsas, dos títulos da dívida externa e do risco Brasil. O assassinato de Yassin acentuou o receio nos mercados sobre novos ataques terroristas. As divergências internas no governo brasileiro também pesaram negativamente e retraíram os investidores domésticos e estrangeiros. O fluxo comercial ligeiramente positivo conteve parcialmente a alta. O dólar comercial oscilou 0,41% no dia e fechou com ganho de 0,38%, a R$ 2,913.
A certeza de que um novo atentado terrorista deve acontecer, embora em local e dia incertos, provocou migração de investidores em papéis brasileiros para os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, considerados mais seguros pelo mercado, afirmou um operador. (Agência Estado)





