Mercado absorve queda da Selic, mas dúvida fica no ar

O mercado absorveu a decisão do Copom de cortar a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual e ajustou as taxas de curto prazo. Mas, no longo prazo, houve uma clara mudança na inclinação da curva de juros. As taxas mais longas estão agora mais elevadas do que as curtas (o DI de janeiro/2006 fechou com taxa de 15,27%, ante 15,14% do janeiro/2005), o que há muito tempo não ocorria. Essa nova estrutura da curva se deve, segundo operadores, ao fato de o Copom ter agido diferentemente do que havia indicado. ''Ficou uma dúvida no ar'', afirma um operador.

O mercado não ficou de mau humor nem tem razões para nervosismo, afirmam operadores. Afinal, o corte de juros podia até não ser a aposta da maioria, mas era aguardada para qualquer momento. ''Já havia uma expectativa formada de que a taxa cairia em abril porque o mercado acredita que a inflação está convergindo para as metas'', afirma um operador.

Desta vez, o limite para o entusiasmo foi mais uma vez o discurso o mesmo que limitou as apostas no corte. O governo manteve um tom cauteloso, conservador até o último momento.




Bolsas vivem dia de montanha-russa

A Bovespa não se pautou exatamente pela decisão do Copom de reduzir a Selic em 0,25. Investidores já haviam feito uma apostazinha nesta zebra ontem. O que norteou o comportamento do mercado paulista foi Wall Street, que teve um dia de forte volatilidade.

Durante a tarde, três altos funcionários do governo do Paquistão disseram à Associated Press que o Exército do país acreditava ter cercado um importante líder terrorista. Wall Street, a princípio, apostou em Bin Laden e o mercado reagiu em alta. Mas depois vieram informações de que seria Ayman al-Zawahiri, o segundo homem mais importante da organização terrorista Al-Qaeda. Por fim, a montanha-russa teve sequência com uma nova avaliação: não foi Osama, mas seu homem forte, o que já estaria de bom tamanho.





Câmbio oscila a maior parte em queda

Com fluxo comercial e financeiro negativo e as cotações ajustadas ao corte da Selic, o mercado cambial operou à tarde de olho nas notícias internas e externas. O volume de negócios continuou firme, mesmo sem a influência da disputa em torno da formação da ptax que ocorreu ontem. O giro financeiro à vista somou cerca de US$ 2,017 bilhões, ante US$ 3,644 bilhões da véspera.

A demanda por operações casadas de dólar à vista com futuro permaneceu firme. Segundo operadores, ela pode estar sinalizando que as tesourarias já estariam recompondo parte das posições, prevendo a possibilidade de não renovação pelo Banco Central do próximo vencimento de US$ 2,246 bilhões em contratos de swap cambial no próximo dia 1.º de abril.

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