MERCADO FINANCEIRO
Discurso do governo reduziu aposta de queda da Selic
O mercado tentou reforçar as apostas em um corte de juro na reunião de ontem do Copom, mas não teve muito fôlego. O discurso do governo continuou impedindo que o mercado ampliasse o otimismo. E, para a maioria do mercado, continuava valendo a idéia de que o Copom até teria justificativas técnicas para reduzir a Selic, mas dificilmente o faria depois de insistir tantas vezes que perseguiria o centro da meta de 5,5% este ano.
O DI de abril encerrou o dia com taxa de 16,10%, indicando que havia uma parcela - minoritária - do mercado posicionada a favor de um corte de juros ontem. Mas é possível supor que boa parte desses contratos se refiria a posições técnicas, já que a ''opção gráfica'' é a queda. ''Muitos se posicionaram para buscar prêmio, e não porque acreditam que haverá queda'', explicou um operador.
O principal argumento que justificava a expectativa de manutenção do juro era ainda o discurso do governo sobre o compromisso de atingir o centro da meta de inflação. Ontem, o presidente Lula voltou a defender a cautela do Banco Central na condução da política monetária.
Aposta sonhadora, sem convicção
O Ibovespa ganhou fôlego no pregão da tarde, impulsionado pela expectativa com a votação da MP da Cide. Também houve uma aposta sonhadora na redução da Selic, ainda que sem muita convicção. O índice teórico paulista fechou em alta de 1,33%, em 21.901 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,079 bilhão.
Wall Street ajudou o mercado brasileiro. Lá, as Bolsas continuaram a reagir à indicação do Fed ontem de que as taxas de juros americanas ficarão baixas por um período razoável, talvez todo o ano de 2004. Perto das 15h30, os líderes partidários na Câmara chegaram a um acordo para votar a MP da Cide, uma das quatro que estão trancando a pauta da Casa.
Bancos acentuaram compra de dólar
Tesourarias de bancos acentuaram as ordens de compra de dólar à tarde a fim de reforçar a ptax e o ganho na liquidação/ajustes da dívida cambial de US$ 1,314 bilhão, que vence hoje e deverá ser paga pelo Banco Central. A correria, que elevou o ''pronto'' à máxima de R$ 2,916 (+0,62%), surtiu o efeito desejado. A ptax de venda encerrou em alta de 2,38%, cotada a R$ 2,9070.
A demanda reforçada nos mercados à vista e futuro de dólar provocou aumento da volatilidade e dos volumes financeiros negociados. O ''pronto'' oscilou 0,66% no dia e fechou em alta de 0,48%, cotado a R$ 2,912. O giro total à vista somou cerca de US$ 3,644 bilhões ou duas vezes e meia maior do que o de ontem. (Agência Estado)





