Mercado não espera queda, mas vê motivos para Selic cair



A corrente dos que esperam um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic cresceu na véspera da decisão do Copom. A maioria do mercado continua concentrada na expectativa de manutenção do juro, sobretudo por causa dos sinais conservadores emitidos pelo Banco Central. Mas, observando a curva de juros, é possível dizer que, desta vez, uma redução na Selic não será uma grande surpresa.

É fato que uma parte dessa inflação será contabilizada em 2005, quando a meta de inflação é menor, de 4,5%. Mas, de acordo com as contas de um operador, é possível estabelecer como meta para o IPCA 12 meses à frente a partir de março 5,38%. ''Não estamos tão longe dela, portanto'', defende.

As expectativas para a inflação ao consumidor são positivas. E esse é um argumento importante para quem defende corte de juros hoje. E, se a inflação no atacado ainda pressiona, o fraco desempenho da atividade econômica deve inibir os repasses.


Faltou entusiasmo aos investidores



O mercado acionário brasileiro acompanhou a recuperação das praças globais, ontem um pouco menos sensíveis ao temor de novos ataques terroristas. A emblemática Bolsa de Madri subiu 1,40% e as demais européias registraram ganhos mais modestos. O Ibovespa fechou em alta de 1,79%, com giro financeiro bem mais magro, de R$ 897 milhões.

A ausência dos investidores estrangeiros do pregão paulista é um dos motivos que enfraqueceram o volume financeiro neste mês. Segundo a Bovespa, o saldo de capital externo na Bolsa voltou para o negativo em março, até o dia 11, com a saída de R$ 7,850 milhões. As compras de ações somaram R$ 2,922 bilhões e as vendas, R$ 2,929 bilhões.




Dólar comercial não teve força para subir



O mercado cambial operou de lado no aguardo das decisões do Federal Reserve dos EUA ontem e do Copom hoje sobre taxa de juros. A melhora das Bolsas internacionais, apesar do persistente temor de novos ataques terroristas, e a ausência de novidades ou rumores políticos domésticos favoreceram a redução da volatilidade. O fluxo comercial foi positivo, mas em volume bem menor do que o de ontem, afirmaram os operadores. Ainda assim, o dólar comercial não teve força para subir por causa da demanda retraída.

As tesourarias de bancos também estariam com suas posições compradas em dólar ajustadas. Por isso, os operadores não descartam a possibilidade de o dólar voltar a ter dificuldades para subir hoje, especialmente se o fluxo de entrada de recursos aumentar. A alta das cotações hoje interessa aos investidores posicionados na dívida cambial de US$ 1,314 bilhão, que vence quinta-feira. (Agência Estado)

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