MERCADO FINANCEIRO
Reviravolta na Espanha e Al-Qaeda derrubam mercados
A surpreendente vitória do Partido Socialista nas eleições espanholas e os fortes indícios de que a Al-Qaeda foi responsável pelos ataques em Madri causaram ontem turbulência no mercado europeu, com consequências globais. A Bolsa de Madri recuou 4,15%. Wall Street também sucumbiu ao medo do terror. Às 18 horas, o Dow Jones caía 1,36% e a Nasdaq recuava 2,22%. O Ibovespa fechou em baixa de 2,49%, com giro financeiro de R$ 1,038 bilhão só não foi pior porque ontem houve o exercício de opções sobre ações na Bolsa.
O fato de José Luis Zapatero ser o futuro primeiro-ministro da Espanha pegou os mercados de calças curtas. Os analistas subestimaram o efeito da atitude de José María Aznar, do Partido Popular, que de imediato responsabilizou o grupo separatista ETA pela tragédia em Madri. O tiro saiu pela culatra e isso não estava precificado.
Também repercutiu mal a movimentação do PL, por meio de seu presidente, Waldemar da Costa Neto, que ontem pediu a cabeça tanto do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, quanto do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Afinal, o PL é cota da vice-presidência da República e faz parte da base aliada do governo.
Juros não foram influenciados
O mercado de juros manteve o tom positivo, sem se deixar influenciar pelo clima tenso verificado nos negócios internacionais. Segundo operadores, a expectativa de que os índices de inflação ao consumidor seguirão em queda falou mais alto.
E justifica, inclusive, um aumento na parcela dos que apostam em corte da taxa Selic na reunião do Copom que começa hoje. A maioria, no entanto, continua acreditando que o discurso conservador dos integrantes do Banco Central impede qualquer esperança de que o juro vá cair em março.
Dólar retoma movimento de alta
O dólar comercial diminuiu a volatilidade, mas retomou o movimento de alta interrompido na sexta-feira. O ''pronto'' oscilou 0,38% no dia. No fechamento, subia 0,14%, cotado a R$ 2,905. O fluxo comercial foi positivo e os players operaram na expectativa de manutenção hoje da taxa de juro nos Estados Unidos e, na quarta-feira, da taxa Selic pelo Copom. Mas, as evidências sobre a ligação do grupo terrorista Al-Qaeda com os ataques aos trens em Madri e os novos ruídos políticos, desta vez envolvendo Palocci, não deixaram o mercado relaxar.
As críticas da direção do PL e de parte do PT à política econômica também causaram inquietação. O mercado teme as consequências de um eventual ''racha'' na base aliada do governo, que poderia comprometer a governabilidade, comentou um profissional.





