MERCADO FINANCEIRO
Mercado refém do medo com volta da Al-Qaeda
A lembrança de 11 de setembro de 2001 voltou ontem às mentes do mercado global, com os virulentos atentados terroristas em Madri. Mas as notícias ruins não se esgotaram pela manhã. A meia hora do fechamento dos pregões, a Al-Qaeda reivindicou a autoria dos atentados, deixando o mercado sob o domínio do medo. O Ibovespa despencou 4,19% e o volume financeiro somou R$ 1,275 bilhão.
Wall Street vinha trilhando o dia com relativa tranquilidade, por causa de um discurso do presidente do Fed, Alan Greenspan. Mas sucumbiu ao temor do grupo liderado por Osama Bin Laden. Às 18 horas, o índice Dow Jones recuava 1,68% e a Nasdaq perdia 0,97 %.
A Europa foi bastante afetada pela tragédia, ainda antes de tomar conhecimento dos responsáveis. A Bolsa de Madri caiu 2,18%, Londres recuou 2,20%, Frankfurt perdeu 3,46% e, em Paris, houve queda de 2,97%. A princípio, houve fuga dos mercados acionários para o porto seguro dos títulos do Tesouro americano. Pós-Greenspan, o mercado tentou sossegar. Mas o nome Al-Qaeda inverteu o jogo.
Juros futuros caem em reação ao IPCA
Os juros futuros caíram, reagindo ao resultado do IPCA de fevereiro, que veio abaixo do esperado. A taxa ficou em 0,61%, ante 0,76% em janeiro, ante expectativas entre 0,67% e 0,83%. O resultado não alterou a aposta da maioria de que o Copom manterá a Selic estável em 16,5% na semana que vem.
Ontem, por causa do resultado do IPCA e do fato de os contratos já carregarem prêmios elevados, o mercado de juros acompanhou apenas à distância as turbulências externas que derrubam as bolsas. Mas, para hoje, as perspectivas são de um dia mais nervoso. O jornal árabe Al-Quds Al-Arabi confirmou que seu escritório em Londres recebeu um e-mail assumindo a autoria dos ataques terroristas de ontem em Madri em nome da organização terrorista Al-Qaeda.
Dólar fecha em alta
O mercado reforçou as posições defensivas em dólar, diante das incertezas sobre a autoria dos atentados terroristas em Madri e em relação ao caso Waldomiro. Ainda que o IPCA de fevereiro tenha aliviado a pressão ''compradora'' inicial, causada pelos atentados e a primeira prévia de março do IGP-M acima das previsões, os investidores não relaxaram. Na máxima, o ''pronto'' foi cotado a R$ 2,924 (+0,83%). Operadores afirmaram que, se algum grupo islâmico viesse a assumir os atentados, os mercados poderiam piorar ainda mais. O dólar comercial fechou pelo quarto dia útil em alta, de 0,31%, a R$ 2,909.
Após o encerramento, houve a confirmação do indesejado. A reação foi imediata. As Bolsas em Nova York passaram a cair arrastando junto a Bolsa paulista.





