MERCADO FINANCEIRO
IGP-M vaza e acentua turbulência no mercado
E o IGP-M vazou. A Fundação Getúlio Vargas e a Andima podem negar, mas o fato é que o resultado da primeira prévia de fevereiro já era conhecido por alguns profissionais minutos antes de a divulgação oficial ocorrer. Não apenas o índice cheio, mas também os três índices que compõem o resultado geral. Provavelmente, alguém soube mais cedo que todo mundo. Por volta das 15 horas, o mercado registrou uma piora significativa do humor, já refletindo o que se chama de ''síndrome do IGP''. Como alguém saiu ''tomando'' DIs com força, o mercado todo desconfiou que houve vazamento. E correu para ajustar posições.
O IGP-M ficou bem mais alto do que o esperado, em 0,66%. As previsões eram de uma taxa entre 0,20% e 0,35%. Já se esperava que o resultado viesse realmente salgado, já que o IGP-DI de fevereiro, de 1,08%, já havia sinalizado que o resultado seria mais forte. Mas o que causou agitação no mercado não foi o número propriamente dito, mas o fato de alguém ter tido acesso a ele antes do restante do mercado.
Por volta das 15 horas, todo o mercado virou. O juro do DI de janeiro/2005, o mais negociado, subiu de 15,67% para 15,78%. Como na terça-feira o mercado antecipou-se ao resultado do IGP-DI (que provavelmente vazou também), ontem, quando alguns players entraram no mercado ''tomando'' DIs, levantou-se a suspeita de que alguém sabia que o resultado viria pior do que o esperado. Cerca de dez minutos antes de as agências de notícias terem acesso ao número, todos os dados do IGP-M já eram conhecidos pelas mesas de operação.
Ibovespa fecha em queda forte
O mercado acionário não vê motivos para subir. A princípio, dados positivos sobre a produção industrial seriam favoráveis para a Bolsa. Mas não nesta semana que antecede o Copom: é mais um argumento para o comitê não reduzir a Selic.
A primeira prévia do IGP-M foi o motivo definitivo para o desânimo. O Ibovespa fechou em queda forte de 4,43%, na mínima pontuação do dia (21.670 pontos) e o volume financeiro somou R$ 1,139 bilhão.
Eliminada esperança em corte da Selic
O mercado cambial precificou a expectativa de manutenção da taxa Selic neste mês e a não rolagem do próximo vencimento de US$ 1,314 bilhão em títulos e swap cambial no dia 18. Depois da subida do IGP-DI de fevereiro para 1,08%, terça-feira as tesourarias de bancos reforçaram o ajuste de posições à tarde reagindo aos rumores sobre o IGP-M.
A confirmação dos boatos veio após o fechamento do dólar comercial em alta pelo terceiro dia consecutivo, de 0,66%, cotado a R$ 2,90 nível mais alto desde 27 de fevereiro (a R$ 2,906). O aumento da produção industrial e a entrevista de Meirelles já haviam eliminado qualquer esperança do mercado sobre um corte da taxa de juros este mês. (Agência Estado)





