MERCADO FINANCEIRO
Inflação em baixa não esquenta aposta para Selic menor
Os prêmios caíram com força ontem, muito mais por conta da ausência de notícias do que por uma melhora no cenário. Se havia algum temor sobre novidades sobre o caso Waldomiro, este não se confirmou. E, superado mais um final de semana, o mercado encontrou espaço para reduzir os prêmios embutidos nos contratos.
Essa queda ainda não representa, segundo operadores, uma mudança na aposta em relação à reunião do Copom de março. Para operadores, o discurso conservador do Banco Central, seja na ata do Copom, seja nos contatos estabelecidos com o mercado ou com a imprensa, inibe apostas mais ousadas.
Ontem foram divulgados dois índices de inflação, que não são decisivos para a formação das apostas, mas que servem de indicativos sobre a tendência das demais pesquisas. O Índice de Custo de Vida do Dieese apontou deflação de 0,18% em fevereiro na cidade de São Paulo. O resultado surpreendeu até a coordenadora da pesquisa, Cornélia Porto.
Bolsa volta a subir
O virtual enterro da CPI dos Bingos refletiu-se na Bolsa doméstica, que ontem voltou a subir principalmente por causa da forte queda dos juros dos treasuries americanos e por números de inflação bastante comportados. Os ganhos reduziram-se no final da tarde porque as bolsas americanas acentuaram a queda. O Ibovespa fechou em alta de 0,53%, nos 22.993 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,114 bilhão.
A baixa dos juros americanos beneficiou os títulos da dívida externa brasileira. Às 18 horas de ontem, o T-Note de 10 anos projetava taxa de apenas 3,7698% (muito aquém do piso psicológico dos 4%) e o T-Bond de 30 anos, de 4,7124%. Consequentemente, o C-Bond subia 0,83% no mesmo horário, enquanto o risco Brasil cedia 14 pontos, para 522 pontos-base.
Mercado cambial opera sob expectativa
Sem novidades sobre o caso Waldomiro Diniz, o mercado cambial operou sob expectativa de eventual intervenção do Banco Central. O giro financeiro mais fraco e o fluxo comercial negativo deram sustentação ao dólar. E a continuidade da queda do juro dos Treasuries norte-americanos, com consequente alta dos títulos brasileiros, e a volta do risco Brasil para níveis anteriores à crise política favoreceram um ambiente calmo de negócios.
O dólar comercial persistiu abaixo dos R$ 2,90, oscilando entre a mínima de R$ 2,86 (-0,31%) e a máxima de R$ 2,884 (+0,52%). No fechamento, foi vendido a R$ 2,876, em alta de 0,24%. (Agência Estado)





