MERCADO FINANCEIRO
AmBev PN derrete 14,96%
As ações preferenciais da AmBev despencaram 14,96%, a maior queda do Ibovespa, após 5.861 negócios, e ajudaram a refrear a bolsa ontem, dia em que a Interbrew anunciou que terá o controle de 52,8% da cervejaria brasileira. O índice teórico paulista fechou em alta de 0,48% e o volume financeiro da bolsa cresceu para R$ 1,328 bilhão.
Segundo operadores, a crise política gerada pelo caso Waldomiro Diniz ainda preocupa, mas saiu do primeiro plano. O curioso é que aparentemente tira mais o sono dos investidores brasileiros do que de estrangeiros. Tanto que estes últimos marcaram presença no pregão. E, mesmo com toda a turbulência, o saldo positivo de capital externo na Bovespa chegou a R$ 1,570 bilhão em fevereiro, segundo maior volume desde o início do Plano Real.
O fato de as ações preferenciais da AmBev terem derretido está diretamente relacionado à futura emissão de 13,8 bilhões de ações para a troca com a Interbrew. Segundo o analista da Sudameris/ABN Amro Corretora Pedro Galdi, a diluição da participação dos acionistas preferenciais da AmBev será de 60,5%.
Inflação dá sinais de alívio
A inflação voltou a dar sinais de alívio, mas o mercado resiste em embarcar de vez em um movimento otimista. O conservadorismo da ata do Copom ainda limita as apostas em corte de juro. E o cenário político, embora não tenha apresentado novidades, continua significando uma razão de insegurança para o mercado.
A Fipe registrou inflação de 0,19% em fevereiro, no piso das expectativas (0,18% a 0,25%) e abaixo da taxa de 0,21% da terceira quadrissemana do mês. O resultado, porém, tem um peso menor para as expectativas desde que a ata disse que o comportamento do IPC da Fipe ''não é necessariamente representativo da dinâmica do IPCA''. Por isso, embora os juros tenham recuado na abertura, o movimento não se consolidou.
Dólar fecha abaixo de R$ 2,90
As especulações de que os indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos poderão sinalizar para eventual antecipação da alta do juro no segundo trimestre sustentaram a desaceleração da queda do dólar ontem à tarde. Este ajuste veio a reboque da recuperação externa momentânea do dólar norte-americano ante outras moedas, como o euro e o iene, no meio do dia, segundo operadores. No fim da tarde, o dólar norte-americano já havia devolvido a alta.
Além disso, a venda de ações da AmBev por investidores estrangeiros na Bovespa e o vencimento de US$ 535 milhões em dívida privada externa na sexta teriam influenciado os negócios. Pelo terceiro dia consecutivo, o dólar comercial fecha abaixo de R$ 2,90. O ''pronto'' encerrou a R$ 2,888, em queda de 0,14% pelo sétimo dia útil seguido.(Agência Estado)





