Denúncia não se concretiza e mercado reage




A prometida nova denúncia do senador Almeida Lima (PDT-SE) contra o ministro José Dirceu e seu ex-assessor Waldomiro Diniz não se concretizou. De imediato, o mercado acionário reagiu em alta à falta de novidades, atingindo a máxima de 0,96%, depois de cair 2,48% na manhã de ontem. O Ibovespa fechou em ligeira baixa de 0,25%, em 22.442 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,109 bilhão.

No balanço do dia, o relevante foi o custo de tamanha volatilidade. Nas contas do consultor Nathan Blanche, da Tendências, somente no caso do Tesouro, que realizou seu leilão semanal de títulos ontem, ''houve um aumento de custo em torno de R$ 3,4 milhões ao ano, em decorrência do aumento na taxa de juros futuras''.

De todo modo, o saldo deste anticlímax foi claro: o mercado ainda está sensível à crise envolvendo o ministro Dirceu, ainda que respire aliviado porque o ministro Antônio Palocci e o presidente Lula não foram afetados até agora.



Notícias provocam tumulto



As ameaças de denúncia feitas pelo senador do PDT ''fizeram água'', mas não sem antes provocarem uma forte volatilidade no mercado financeiro. Por conta da promessa do senador de que apresentaria documentos comprovando o envolvimento de Dirceu com o ex-assessor Waldomiro Diniz, o mercado todo ficou tumultuado. Mas, constatado que a tal denúncia não apresentava elementos novos, o mercado devolveu a alta.

Lima prometeu apresentar provas de que Dirceu havia atuado, já no atual governo, no sentido de abafar o caso Waldomiro. Tudo o que Lima apresentou, no entanto, foi um recorte do jornal O Dia, com uma matéria do ano passado, que afirmava que Dirceu havia telefonado para o secretário de Segurança do Rio, Anthony Garotinho, para abafar as denúncias contra o então presidente da Loterj, Waldomiro Diniz. E um inquérito não concluído da Polícia Federal, tendo como foco apenas Waldomiro.



Discurso irritou
operadores



O discurso sem novidades do senador pedetista no Senado causou irritação nas mesas de operação e uma rápida desmontagem de posições defensivas em dólar. A movimentação das tesourarias de bancos conduziu o dólar comercial de uma alta de 0,41% na reabertura dos negócios à tarde para queda de 0,10%, a R$ 2,891. A máxima foi registrada pela manhã, de R$ 2,92 (+0,90%).

A percepção dos operadores é de que o mercado vai continuar sensível às notícias e rumores políticos e operando pontualmente no giro de curtíssimo prazo. O fluxo comercial ontem foi positivo, mas dentro da normalidade, o que demonstra que a queda das cotações à tarde foi comandada pela ação das tesourarias. (Agência Estado)

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