MERCADO FINANCEIRO
Mercado começa otimista em março
Março começa otimista no mercado financeiro, com alta da Bovespa e queda do dólar, dos juros e do Risco País. Após a turbulência em fevereiro, movida à crise política no governo Lula e receio de alta no juro dos EUA no curto prazo, os investidores estrangeiros voltam às compras de ativos de países emergentes, em busca de ganhos elevados.
A moeda americana voltou ontem a ficar abaixo de R$ 2,90. Se fechar assim, isso não acontece desde o dia 12 de fevereiro, quando encerrou a R$ 2,896. O dólar recua 0,55%, negociado a R$ 2,892. Há a expectativa de o Banco Central (BC) retomar os leilões para a compra de divisas, a fim de reforçar as reservas cambiais do País e evitar uma queda exagerada das cotações. Desde 5 de fevereiro, o BC não compra dólar.
Mas como a moeda ficou muito pressionada ao longo de fevereiro, é possível que o BC deixe o dólar abaixo de R$ 2,90 por um tempo, com objetivo de aliviar a média mensal, sem dar pretexto para reajustes de preços e pressões inflacionárias.
Risco Brasil em queda livre
Já o risco Brasil tem queda de 5,01%, aos 549 pontos, mínima do dia apurada pela CMA, empresa de sistemas e informação financeira. É um patamar ainda alto. Há espaço para o risco ficar abaixo de 500 pontos nos próximos dias, o que pode reabrir as captações externas por empresas e bancos brasileiros no exterior, já que o custo dessas operações cai no mesmo ritmo do risco.
O Bradesco, por exemplo, começou no último dia 17 de fevereiro a captar 250 milhões em euros (cerca de US$ 320 milhões), em uma operação liderada pelo BNP Paribas, com bônus de dez anos, mas ainda não finalizou.
A operação foi suspensa com a turbulência política que fez o risco brasileiro disparar desde a sexta-feira, 13, em que eclodiu o caso Waldomiro Diniz com a divulgação do vídeo pela revista ''Época'', em que o ex-assessor do ministro José Dirceu (Casa Civil) negociava propina com o empresário de bingo Carlos Cachoeira.
Juros também estão em queda
Já o Ibovespa sobiu ontem 2,40%, aos 22.278 pontos, recuperando esse patamar perdido em 19 de fevereiro. Ontem o destaque do pregão é a ação da AmBev, que dispara, após confirmação dos rumores sobre a parceria com a belga Interbrew. Desde o fim de janeiro, o mercado já especulava sobre esse negócio.
Os juros futuros estão em queda na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). O contrato para janeiro de 2005 projeta 15,63% ao ano, uma queda de 0,88% em relação ao fechamento da sexta-feira. Neste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos dias 16 e 17. Até lá, o mercado deve alimentar a aposta de retomada dos cortes da taxa Selic, após dois meses de manutenção do juro em 16,5% ao ano. Os próximos índices de inflação devem desacelerar, e o governo Lula poderá cravar o fim da crise com uma redução da taxa.(Agência Folha)





