MERCADO FINANCEIRO
Ata, desemprego e vendas fracas desanimam mercado
A Bovespa acompanhou o desencanto do mercado de juros com a sisudez da ata do Copom e fechou ontem em queda de 0,74%, com volume financeiro bastante fraco de R$ 614 milhões. Muitos investidores ainda não voltaram do feriado de Carnaval, o que explicaria o esvaziamento da bolsa ontem. Na mínima, o Ibovespa registrou perda de 1,98%, mas melhorou um pouquinho em compasso com a retração do risco Brasil, que às 18 horas caía 12 pontos, para 563 pontos-base. No mesmo horário, em Nova York, o índice Dow Jones operava em queda de 0,20% e a Nasdaq subia 0,47%.
Pelo menos dois indicadores desautorizariam tamanha cautela do Copom expressa na ata de sua última reunião: as vendas dos supermercados em janeiro e a taxa de desemprego na região metropolitana em São Paulo. Mas não cabe ao Banco Central observar estes números da atividade econômica. Ao BC cabe perseguir o centro da meta de inflação, de 5,5% este ano, dizem analistas.
Daí o desalento do mercado. Não parece que o Ministério da Fazenda esteja preocupado em alterar a meta de inflação, nem aperfeiçoar o sistema, para excluir da meta central, por exemplo, os preços administrados ou as altas sazonais.
BC afasta corte de juros
O Banco Central voltou a se ''amarrar'' ao divulgar a ata na manhã de ontem. O tom do documento veio mais uma vez conservador, indicando que o comitê continua focando o centro da meta de inflação deste ano, de 5,5%, e afastou a possibilidade de corte de juros no curto prazo. E o mercado, que tentava embalar em um movimento positivo, corrigiu as taxas em toda a curva de juros.
Para operadores, o documento foi coerente com as recentes decisões do Copom, que se basearam na preocupação com a alta da inflação. Mas coloca em discussão os riscos para atividade econômica, investimento e fluxo de recursos que essa rigidez na política monetária representa.
Dólar cai pelo terceiro dia
O fluxo comercial positivo e a ausência de novidades sobre o caso Waldomiro Diniz favoreceram a continuidade da queda do dólar pelo terceiro dia útil consecutivo. Com o fechamento em baixa ontem, de 0,20%, cotado a R$ 2,935, o ''pronto'' acumula queda de 0,84% desde sexta-feira. O giro financeiro total à vista aumentou 218% para cerca de US$ 1,244 bilhão.





