MERCADO FINANCEIRO
Sem fato político novo, mercado respira aliviado
A Bovespa fechou em alta na Quarta-Feira de Cinzas, dando sequência à reação verificada na sexta-feira, quando a Bolsa operou em baixa no período da manhã e passou a subir à tarde depois que o presidente Lula anunciou a proibição dos bingos no País. A medida adotada por Lula foi interpretada pelo mercado como uma ofensiva do governo para tentar isolar a Presidência da República das acusações de corrupção contra o ex-assessor parlamentar da Casa Civil Waldomiro Diniz.
De olho no cenário político, o mercado de ações também não viu durante o feriado de carnaval nenhum fato novo que pudesse aprofundar a crise política. ''Os indicadores econômicos estão favoráveis. Se essa crise não atingir o Lula, a bolsa retorna à alta'', afirmou um operador. O pregão de ontem, no entanto, não pode ser interpretado como definidor de tendência. Com baixa liquidez nos negócios, a Bolsa fechou em alta, mas sem consistência.
Juros retomam alta
Os juros futuros praticamente devolveram toda a alta verificada na sexta-feira, quando o mercado reagiu negativamente à divulgação de mais detalhes sobre o caso Waldomiro pelas revistas semanais. O DI de janeiro/2005, o mais negociado, fechou com taxa de 15,79%, contra 15,78% da quinta-feira. Na sexta-feira, esse contrato havia encerrado o pregão em 15,96%.
A expectativa positiva do mercado em relação à ata do Copom, que sai hoje cedo, explica a queda das taxas. Segundo operadores, a maior parte dos profissionais acredita que a ata virá mais otimista, abrindo espaço para as apostas em um corte de juro na reunião de março.
Na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F), os DIs encerraram o dia com as seguintes taxas: DI de janeiro, 15,79% (ante 15,96% na sexta-feira); DI de julho, 15,89% (16%); DI de outubro, 15,84% (15,96%); e DI de março, 16,25% (16,28%).
Poucos negócios, câmbio em baixa
No mercado de câmbio o giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 570 milhões ontem , contra US$ 1,628 bilhão na sexta-feira. A cotação registrou baixa durante todo o período de negociações, que começou pouco depois das 13h e encerrou perto das 16h. Os analistas dizem que o comportamento do mercado refletiu a falta de novidades no cenário político e expectativas positivas em relação à ata do Copom.
As declarações do presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, dadas durante seu depoimento sobre as perspectivas da economia e questões fiscais no Comitê de Orçamento da Câmara, em Washington, também teriam agradado aos investidores.
Na mínima desta tarde, a queda do dólar atingiu 1,05%, com a cotação em R$ 2,928. Na máxima, a moeda norte-americana era cotada a R$ 2,948, com recuo de 0,37%. Ao encerramento das transações, o dólar valia R$ 2,941, com desvalorização de 0,61%.





