Mercado finalmente reduz previsão de IPCA
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segunda-feira, 23 de maio de 2005
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília - Após 11 semanas seguidas de alta, as projeções de mercado para a inflação deste ano tiveram o primeiro recuo na pesquisa semanal Focus divulgada ontem pelo Banco Central (BC). Com a queda, as previsões de variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2005 oscilaram de 6,39% para 6,38%. Modesta, a redução não foi suficiente para deixar as expectativas próximas do objetivo de 5,1% perseguido pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
O BC, por sua vez, esperará para ver se a queda nas projeções será seguida de outras nas próximas semanas. ''Mudanças pontuais não importam'', disse uma fonte. ''Temos de observar a tendência num prazo mais longo.'' A queda das projeções de inflação veio acompanhada da expectativa de que, em junho, a taxa de juros permanecerá estável em 19,75% ao ano. Neste cenário, a trajetória de alta dos juros iniciada em setembro teria se encerrado na semana passada, quando a taxa foi elevada de 19,50% para 19,75%. Os juros voltariam a uma trajetória de queda gradual a partir do segundo semestre e fechariam o ano em 18%, um número próximo aos 17,75% do fim de 2004.
Na outra ponta, as previsões de reajuste dos preços administrados neste ano não deram trégua e aumentaram pela décima semana consecutiva, passando de 7,74% para 7,84%. Na reunião de abril, o Copom trabalhava com a hipótese de uma elevação de apenas 7,20% neste ano. Há quatro semanas, as previsões estavam em 7,40%. Para 2006, as projeções de reajuste dos preços administrados continuaram estáveis em 6% pela sexta semana consecutiva.
As projeções de aumento da produção industrial neste ano, por sua vez, caíram de 4,50% para 4,39%. A queda pode ser, na avaliação de economistas, um reflexo das seguidas elevações de juros feitas pelo Copom.
A despeito dessa redução, as previsões de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano continuaram estáveis em 3,5%. O BC trabalhava em março com uma projeção de crescimento econômico de 4%. Para 2006, as estimativas de aumento da produção também recuaram e variaram de 4,60% para 4,20%. As previsões de expansão do PIB também não mudaram e prosseguiram em 3,50% pela terceira semana consecutiva.


