São Paulo - A Bovespa fechou ontem a quinta semana consecutiva de perdas, com os investidores preocupados com uma alta do juro nos EUA, a disparada do preço do barril de petróleo para US$ 40 e do dólar para R$ 3, além das derrotas políticas do governo Lula nos casos da proibição aos bingos e do reajuste do salário mínimo.
O principal índice da Bolsa voltou à casa dos 18 mil pontos com uma queda de 2,97%, somando 18.620 pontos, menor nível desde novembro do ano passado. Em janeiro, o Ibovespa estava no patamar recorde de 24 mil pontos. Na semana, o indicador desvalorizou 5%, acumulando baixa de 16,2% no ano.
Desde a Semana Santa, período de quatro pregões (5 a 8 de abril), a Bovespa só acumula baixas. O estopim dessa sequência negativa foi a divulgação de indicadores mostrando a recuperação da economia americana, uma senha para alta do juro.
Ontem, o dado sobre criação de vagas (288 mil) no mercado de trabalho dos EUA em abril, acima do previsto, reforçou a aposta de juro maior no próximo mês -um cenário desfavorável ao fluxo de capital para países emergentes, como o Brasil. ''O mercado de trabalho sugere alta de juros já em junho, e não mais em agosto'', afirmou o economista do banco Fibra, Guilherme da Nóbrega.
Em abril, o aumento das vendas no varejo e da inflação em março surpreendeu analistas. Desde junho de 2003, o juro está em 1%, o menor desde 1958. A política de juro historicamente baixo foi adotada pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano) para reanimar a economia, após um ambiente recessivo em 2001, ano dos ataques terroristas, os escândalos corporativos em 2002 e a guerra no Iraque no primeiro semestre do ano passado.
Agora, a perspectiva de juro maior na principal economia do mundo motiva uma onda de venda de títulos de emergentes como o Brasil em abril, quando o mercado começou a reduzir a exposição das carteiras a ativos considerados de ''maior risco''.
Em 2003, a euforia com ações e títulos de emergentes ocorreu por causa do juro baixo nos EUA, que fez o investidor buscar papéis com maior chance de lucro. Ou seja, a aversão global ao risco foi menor, e a liquidez internacional foi abundante.

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