Mercado favorável eleva preço do café
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sexta-feira, 27 de setembro de 2002
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
O preço do café está subindo e já supera, no mercado, os R$ 130,00 por saca oferecidos pelos contratos de opção de venda do governo federal. De acordo com a cotação da Esalq/BM&F, a saca do café tipo 6 bebida dura estava sendo comercializada a R$ 141,46 anteontem em São Paulo, superando em 25% o preço de R$112,43 praticado no mesmo período do ano passado.
No Paraná, o mesmo café está sendo negociado entre R$ 130,00 e R$ 135,00, segundo o engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, do Departamento de Café do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em Londrina. O valor médio pago pelo produto sem classificação, ontem, foi R$ 95,00.
A valorização do produto foi causada pela alta do dólar, pela expectativa de redução da oferta na próxima safra e pelos próprios leilões de contrato de opção. De acordo com Barbosa Lima, os compradores internacionais estão oferecendo um preço melhor pela mercadoria para evitar que os agricultores entreguem a produção nos leilões do governo. '' O valor praticado ainda é baixo, mas deve melhorar. O ideal seria comercializar a saca por U$$ 70 a U$$ 80'', opinou.
Como o mercado de café é movido à especulação, a previsão de uma safra menor no ano que vem também está influenciando os preços. Barbosa Lima comentou que a expectativa de redução de safra se explica pelo ciclo bianual da cultura (um ano de boa produção é seguido por um ano ruim). ''Como o País está colhendo uma supersafra, no ano que vem a produtividade deve cair'', disse. A queda na produção deve ser agravada pela falta de capital dos produtores, que estão sem condições realizar os tratos culturais adequados.
Segundo Barbosa Lima, a previsão é que a safra brasileira, estimada neste ano em 44,6 milhões de sacas, sofra uma redução de 10 milhões a 15 milhões de sacas em 2003. Essa conjuntura equilibraria o mercado mundial, que atualmente produz uma média de 119 milhões de sacas para uma demanda de 107 milhões.
Outro fator que influencia os preços é a alta do dólar. A assessoria de imprensa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), de Piracicaba, informou que a moeda americana valorizada estimula a exportação, aumentando a demanda. Em agosto deste ano, o Brasil bateu seu recorde de venda de café para o mercado externo. Foram exportados 2,8 milhões de sacas, volume que supera em 18% a comercialização do mesmo período do ano passado.


