A indústria brasileira de massas alimentícias vive o momento mais oportuno para conquistar o mercado externo. Essa é a opinião de Aladino Selmi Neto, diretor-superintendente da Selmi e um dos 18 membros da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima) em condições de participar dessa empreitada. Segundo ele, o projeto de parceria com a Agência de Promoção de Exportações (Apex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, está praticamente aprovado. ''É a primeira vez, em 20 anos, que o governo oferece um apoio desse nível'', acrescentou.
Um dos mercados mais interessantes para a Abima é os Estados Unidos onde vivem 60 milhões de descendentes latinos. A Europa, é claro, também faz parte dos planos de expansão para o macarrão, mas as barreiras comerciais que ela impõem são mais difíceis de serem transpostas. Sobram, portanto, os países da África, Ásia e América Latina que, com algumas exceções, são menos atrativos.
De acordo com Neto, o Brasil exporta apenas 1% do macarrão que produz e importa 1,5% do produto consumido. Há quatro anos, o setor se mantém estável porque as variações econômicas não interferiram na demanda. ''Isso levou a um saneamento qualitativo que resultou no fechamento de 200 empresas das 450 que funcionavam dez anos atrás''. Sobreviveram aquelas que agregaram valor ao macarrão, investiram na capacidade instalada com baixo custo de produção.
Na opinião do diretor-superintendente da Selmi, os principais obstáculos para a Abima conquistar seu objetivo são: o câmbio do dólar, matéria-prima de primeira linha, dependência de fornecedores externos e um interlocutor experiente em leis alfandegárias.
Graças à boa fase do agronegócio, o agricultor adquiriu capital para investir na qualidade e produtividade. O trigo tem sido um dos produtos que mais se beneficiou com a valorização da soja que, em muitos casos, deixa a terra quimicamente preparada para seu plantio. ''Este ano, tivemos um aumento de, aproximadamente, 25% de produtividade por hectare e as perspectiavas para 2004 são ainda melhores'', comemora Neto.

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