''O Brasil é o terceiro maior produtor de massas do mundo e precisa de 1,5 milhão de toneladas para atender este mercado. Somos também o maior produtor de biscoitos do mundo e precisamos de 1 milhão de toneladas para este segmento''. Com estas afirmações, o coordenador do Moinho de Trigo da Cooperativa Agrária, Rudolf Gerber, destacou a importância da segregação do trigo para atender às exigências do mercado. O técnico fez palestra no segundo dia do VI Seminário Técnico de Trigo, que foi encerrado ontem, em Londrina, numa promoção da Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária com parceria da Embrapa, Iapar e Sociedade Rural do Paraná.
Rudolf Gerber sugeriu em sua palestra que a segregação do trigo é hoje indispensável para quem quer se manter no mercado. A Agrária já vem fazendo este trabalho há 4 anos. ''Trigo bom misturado com trigo ruim dá como resultado uma farinha ruim, então nos resolvemos trabalhar para atender às exigências de nosso cliente. Na hora do recebimento segregamos as cultivares e armazenamos em silos separados'', explica.
O desafio de atender às necessidades dos moinhos e do produtor foi um dos temas abordados pelo gerente comercial da Cocamar, José Cícero Aderaldo, também palestrante do evento .''O moinho, que é quem compra, quer um produto homogêneo, com qualidade, sanidade e preços competitivos com o trigo importado. Do outro lado, o vendedor, que é produtor, precisa de sementes com boa resposta agronômica, preço que remunere sua atividade, liquidez plena no mercado e não ter o ônus de estocar o produto'', explicou Aderaldo.
As cooperativas que recebem o trigo e fazem a comercialização com a indústria precisam se estruturar para atender às necessidades de um novo momento exigido pela cultura do trigo no País. Como sugestão para vencer as dificuldades da cultura ainda nesta safra, Aderaldo apontou a remoção de estoques do governo referente a safras anteriores; atualização de preço mínimo de acordo com os custos de produção; conscientização do produtor sobre as dificuldades do momento; disponibilização de recursos para linhas de crédito; lançamento de contratos de opção em agosto para exercício futuro; e o PEP para equalizar a diferenças entre preço mínimo e paridade de importação.
Na avaliação de Geraldo Rodrigues Fróes, presidente da Fundação Meridional, o evento atingiu seus objetivos de fomentar soluções para a triticultura. As sugestões e avaliações apresentadas pelos vários segmentos durante o encontro vão se transformar em documento a ser enviado às autoridades como contribuição para o fortalecimento da cadeia produtiva do trigo.

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