Mercado exige mais do que ensino médio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Monica Carvalho<br> Especial para a Folha 
Como facilitar a inserção no mercado de trabalho? Qual a forma de garantir a colocação e a permanência frente tanta competitividade e adversidades atuais? Essas foram algumas perguntas que o estudo ''Diferenciais de Salários no Paraná, um panorama do mercado de trabalho atual'' tentou responder.
O estudo resultou de oito meses de pesquisa do economista Marcos Rocha, mestrando em Economia na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e graduado na Universidade Estadual de Londrina (UEL), com orientação da doutora em Economia, Fátima Campos, também da UEL.
''Buscamos confirmar cientificamente o que todo mundo fala, mas ainda havia certa dúvida - a escolaridade e a experiência são fatores principais de entrada e manutenção do emprego'', frisa a professora doutora em Economia, Fátima Campos.
A pesquisa apontou algumas curiosidades como por exemplo desigualdades salariais dos trabalhadores por regiões demográficas. Revelou também que há retornos salariais para cada ano de estudo. Em média, de aproximadamente 14% para os homens e 18% para as mulheres.
Um fator destoante do resultado geral do estudo foi notado no coeficiente de escolaridade para negros e pardos, quando o modelo verificado prevê um acréscimo salarial de apenas 4% por ano adicional de instrução, em contraste com as estimativas para indivíduos brancos.
Os economistas checaram ainda que aqueles que possuem menos que o segundo grau completo (ensino médio) sofrem mais na hora de buscar emprego. ''A escolaridade continua sendo fundamental, independentemente de sexo, estado civil ou raça'', enfatizam.
''As comparações, na verdade, apresentam uma certa homogeneidade dos gêneros no acesso ao estudo, com ligeira vantagem para os homens, por exemplo, na faixa de um a 11 anos de estudo e com mais de 16 anos. Já as mulheres ultrapassam os homens na etapa que vai de 9 a 15 anos de escolaridade - nos níveis universitários'', explica Marcos Rocha, que é mestrando em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Capital.
Quanto ao quesito racial, o percentual geral e mediano da análise engloba de um a quatro anos de instrução mínima entre brancos. Negros, indígenas e pardos têm maior concentração na falta de acesso à escolaridade ou na faixa máxima de instrução - até oito anos (fundamental e média). Já os amarelos são mais semelhantes nas diversas etapas, liderando percentuais, especialmente a partir dos nove anos até 16 anos de estudo - pós-graduação, nos estratos de mais capacitação escolar.
Subdivisão - A análise subdividiu 76,8% da população como brancos; 20% pardos; 0,92% amarelos; 2,86% negros e 0,32% indígenas. Foram investigados homens e mulheres - médias de idades de 18 até 58 anos, salários-hora variando entre R$ 1,00 a R$ 500,00 do setor urbano, com carteira assinada (37,38%), trabalhadores por conta própria (24,15%), informais ou sem carteira assinada (20,24%) e, ainda, empregadores (3,5%).
O estudo abrangeu uma amostra de 1.218.361 pessoas da população paranaense, num universo de 50,38% de mulheres e 49,62% de homens, conforme dados disponíveis pelo Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o ano de 2000. Os números salariais apresentados foram corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE, acumulado de janeiro de 2001 até julho de 2006, taxa de 56,36%.
Para o economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PR), este índice é o mais indicado para retratar o custo de vida do trabalhador brasileiro.


