As exigências do mercado europeu são firmes quanto ao trânsito de animais e a rastreabilidade dos bovinos. E esses dois assuntos estão sendo tratados como prioridade que precisam ser resolvidas pelo governo federal. ''Não tenho dúvidas de que vamos resolver, mas isso são questões crônicas que eu não tive ainda como resolver porque assumi (o ministério) há pouco tempo'', comentou o ministro Reinhold Stephanes. A intenção é implantar ainda no primeiro semestre do próximo ano as guias eletrônicas, uma vez que atualmente ainda é usado o sistema manual.
''Isso teoricamente é muito elementar, só que desgraçadamente não foi feito. A grande maioria ainda é manual'', observou ele. Além disso, o governo deverá tomar posições bastante duras quando for encontrado animais circulando sem as guias. O ministro disse, inclusive, que esta missão européia em visita ao Brasil teria encontrado irregularidades na Fazenda Bertin um dos maiores grupos exportadores de carne do País. De acordo com o ministro, as irregularidades seriam a reutilização de brincos (dos animais) e contas que não fechavam.
Isso porque, de acordo com Stephanes, o trânsito animal é prioridade para os europeus, na frente até da rastreabilidade. ''Nós também não podemos admitir porque somos o maior produtor e o maior exportador de carne do mundo. Temos que mostrar que temos condições de produzir bem, só que temos que fazer algum dever de casa'', salientou o ministro. Ele observou que a briga com os irlandeses deve ser por questões comerciais, uma vez que o custo de produção brasileiro é três vezes menor do que o custo europeu, embora as criações sejam subsidiadas.
''Mas eles (europeus) também têm razão porque são obrigados a cumprir uma série de exigências e eles querem que essas exigências também sejam estendidas aos concorrentes, o que é justo'', comentou Stephanes. No entanto, ele disse que o Brasil tem condições de cumprir as exigências européias, desde que os produtores tenham responsabilidade.
''O interesse é deles (cadeia produtiva), que devem criar uma organização que opera a rastreabilidade, as normas e os padrões definidos pelo governo. Na hora em que tivermos o próprio sistema responsável, com órgão, conselho, a fiscalização será dura. Agora o pessoal tem que aprender e tem que agir de forma correta'', afirmou o ministro. (F.M.)

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