Mercado estranha manutenção da barreira em Mato Grosso do sul
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sábado, 13 de janeiro de 2001
Oswaldo Petrin De Londrina 
Uma fonte do Ministério da Agricultura admitiu ontem que a saída de boi vivo e carne com osso do Mato Grosso do Sul para os estados do Paraná e São Paulo pode ser liberada antes mesmo do dia 22 de maio, data em que a plenária da Organização Internacional de Epizootias (OIE) vai referendar o reconhecimento do MS como área livre de febre aftosa. Essa é a data prevista para liberação da fronteira e que chegou a surpreender o mercado, já que a liberação deveria ocorrer tão logo o governo tornasse público o reconhecimento, o que aconteceu no último dia 10.
O reestabelecimento do trânsito de animais entre Mato Grosso do Sul, maior fornecedor de carne bovina, e São Paulo, maior comprador, era esperado pelo mercado - o mesmo acontece no Paraná. Tanto que o presidente do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná, Péricles Salazar, em entrevista a Folha na quinta-feira, debitou a manutenção da barreira à pressão da indústria do MS.
O analista de mercado José Vicente Ferraz, da FNP, disse ontem que o diferencial de preços entre São Paulo e Mato Grosso do Sul é, historicamente, de um dólar ou dois reais por arroba. Mas, no momento, o diferencial é o dobro, cerca de 2 dólares, ou 4 reais. Isto significa que tem muita gente ganhando muito dinheiro e muitos perdendo o mesmo tanto, sugeriu o técnico.
A tendência é que com a normalização do trânsito - isto é com a retirada da barreira - o spread volte aos níveis históricos.
O especialista da FNP acha que não é lógico que a abertura só ocorra após a apreciação da OIE. Na opinião dele, se o governo entende que o MS está livre da doença então não há razão para impedir a saída de carne e/ou animais vivos daquele estado. Até porque o parecer da OIE é expresso com base nos dados do próprio país interessado. É no mínimo estranho, disse o analista de mercado, entrevistado ontem por este jornal - que o Ministério aguarde uma homologação da OIE cuja função é homologatória, desde que o governo tenha cumprido tecnicamente todos os procedimentos necessários como o inquérito soroepidemiológico. Isto a OIE não contesta. Por esta razão o mercado acha desnecessário a cautela alegada pelo Ministério da Agricultura para liberar o trânsito de animais.
Exportação Vice Ferraz disse ontem que o aumento de áreas livres de aftosa colocam o Brasil numa posição excelente para conquistar novos mercados de carne. Certamente são mercados mais exigentes e classificados. A evolução do nosos status sanitário possibilita a abertura de mercado e aumenta o potencial do Brasil para exportar, disse o especialista.
Os mercados são o europeu, asiático e americano. Depois de analisar a situação de cada um deles, Vicente Ferraz disse que as maiores chances para o Brasil estão na Ásia. Além do crescimento econômico, os países asiáticos têm um baixo consumo per capita de 13 kg/ano (comparado com 36 kg no Brasil, 50 kg na Argentina, 80 kg no Uruguai, 25 a 30 kg na Europa). Qualquer crescimento de dois quilos per capita/ano na Ásia representa um grande volume.
Outro grande mercado para a carne bovina brasileira é o mercado norte-americano. Os Estados Unidos consomem muito dianteiro. São grandes exportadores de traseiro, mas também são grandes importadores da carne que industrializam. Eles têm um grande déficit de dianteiro e superávit de traseiro que exportam, explica Vicente Ferraz. Ele acrescenta que o Brasil tem condições de aumentar a produção de carne de maneira barata enquanto outros países têm que aumentar os custos através de confinamento, etc.


