Brasília Depois que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reafirmou o compromisso do governo com o sistema de metas de inflação, o mercado financeiro aguarda uma sinalização do BC sobre o valor do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ajustado, que está orientando a política de juros a partir de agora. O índice, que serve de referência para o regime de metas implantado em 1999, foi mantido inicialmente em 4% para 2003 com intervalo de variação de 2,5 pontos porcentuais.
No entanto, Meirelles afirmou que para não impor sacrifícios desnecessários ao País, o BC trabalhará para alcançar o valor definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) num período maior do que um ano. Essa era exatamente a política que vinha sendo adotada na gestão de Armínio Fraga. Como as semelhanças entre as duas administrações aumentam a cada dia, alguns especialistas avaliam que um IPCA em torno de 7% para este ano, conforme foi definido no último relatório de inflação, é um valor razoável. Persistindo o bom humor do mercado cambial nas últimas semanas, esse índice, calcula-se, seria suficiente para compensar os resíduos inflacionários de 2002 e os choques de oferta em função de aumento dos preços administrados e monitorados este ano, enfatizados por Meirelles.
A semelhança entre as duas administrações começou pelo discurso de nove páginas lido pelo novo presidente do BC durante a cerimônia de transmissão de cargo, na terça-feira. Além da estrutura parecida, o texto tem trechos idênticos a um artigo escrito por Fraga e pelo diretor de Política Econômica, Ilan Goldfajn, e publicado na imprensa em novembro do ano passado.
Assim como Fraga, Meirelles também defende a tese de que o BC tem um objetivo, a estabilidade de preços, e um instrumento para alcançá-lo, a política monetária. Ainda assim, ''mesmo com apenas um objetivo e um instrumento, é possível organizar a atuação do BC de diferentes maneiras'', argumentam textualmente os dois antes de discorrerem sobre as opções de regime de metas de inflação, sistema de câmbio fixo e controle de agregados monetários. Na sequência, eles explicam os princípios básicos implementados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) que norteiam o sistema de metas.
Para o economista Elson Aguiar, do Banco Boreal, pelas sinalizações dadas até agora, em especial no discurso de transmissão de cargo, ''a gestão de Meirelles deverá ser uma continuidade do Armínio''. Por isso mesmo, ele acredita que a meta do IPCA ajustada entre 6% e 7%, estimadas por Fraga, é a mais provável para orientar a política monetária. O valor foi calculado considerando juros constantes em 25% ao ano e câmbio a R$ 3,20. ''Fraga falava que a inflação poderia convergir para trajetória desejada num prazo entre 18 a 24 meses e o BC deve estar considerando isso.
Com isso, o Copom já teria argumento técnico suficiente para justificar a manutenção dos juros na próxima reunião marcada para os dias 21 e 22 deste mês. O ex-diretor de Política Econômica do BC Sérgio Werlang afirmou que o novo presidente do BC poderia até ter deixado claro o valor dessa meta ajustada que, certamente, já está acima do teto de 6,5% fixado oficialmente para 2003.

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