Mercado estima inflação de 9% para o ano que vem
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terça-feira, 12 de novembro de 2002
Agência Folha 
Brasília A inflação do ano que vem deve ser a mais alta desde 1996, segundo pesquisa feita pelo Banco Central entre bancos e empresas de consultoria. O levantamento mostra que o mercado espera que a alta dos preços, medida pelo IPCA, deve ficar em 9% em 2003.
Até a semana passada, a mesma pesquisa mostrava que a expectativa era de uma inflação de 8,2% em 2003. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é o índice oficial usado pelo governo como referência para o sistema de metas de inflação. Para o ano que vem, a meta é de 4%, com uma margem de tolerância de 2,5 pontos para cima ou para baixo.
A pesquisa do BC mostra ainda que, para este ano, espera-se uma inflação de 8,76% contra 8,42% do levantamento divulgado na semana passada.
A meta deste ano é de 3,5%, com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais. No acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), porém, a meta é de 6,5% com variação de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo, o que faz com que a inflação possa chegar a 9% sem descumprimento da meta.
O mercado também está pessimista em relação ao comportamento de outros índices de inflação. Para o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), estima-se uma alta de 20,09% neste ano. Para 2003, a previsão é de um aumento de 12,77%.
O principal motivo para a alta da inflação é a disparada do dólar. Segundo estudo feito pela diretoria de Política Econômica do BC, 48% do aumento do IPCA ocorrido entre janeiro e agosto deste ano (4,8 pontos percentuais) se deve ao impacto da desvalorização do real sobre os preços.
De acordo com o levantamento feito pelo BC com o mercado financeiro, a expectativa é que a cotação do dólar feche este ano em R$ 3,50. Para 2003, espera-se uma ligeira desvalorização do real, com a taxa de câmbio chegando a R$ 3,59 até dezembro.


