Mercado estéril
Se o câmbio, somente ele, derrubou os preços da soja no mercado interno todos esses dias, o que dizer, então, da redução do câmbio somada à queda das cotações internacionais. A Bolsa de Chicago fechou em baixa ontem pelo quarto dia consecutivo. Com o preço futuro em queda e o dólar recuando 1,40 pontos percentuais (comercial a R$ 2,995/3,000 e turismo a R$ 2,950/3,110) o mercado interno congelou ontem nas praças de Cascavel, Maringá, Ponta Grossa, Apucarana e Londrina.
Os preços internos sofreram o forte impacto negativo das quedas do câmbio e de Chicago. Foi um dia ''morto'', praticamente sem atividade, informou a Granoeste, corretora de Cascavel no final da tarde. As indicações de compra foram cedendo no decorrer do dia, à medida em que as variáveis câmbio e Bolsa de Chicago iam caindo.
Indicações de compra no Porto de Paranaguá a R$ 39,50 no fim do dia. No Oeste, indicações a R$ 36,00 pela manhã e entre R$ 35,00 e R$ 35,30 no fechamento.
Na Chicago Board of Trade o contrato com vencimento em maio encerrou o pregão cotado a US$ 6,03/bushel (US$ 13,29/sc de 60 kg).
As cotações perderam força, pressionadas por previsões climáticas favoráveis às lavouras norte-americanas, bem como pela expectativa de possíveis efeitos negativos em função da disseminação da síndrome respiratória aguda severa (Sars), e também por novas vendas técnicas - informou ontem o analista da FNP, Stael Prata Silva Neto.
No mercado interno brasileiro, a atividade de colheita mantém o bom desempenho na maior parte do país. A colheita já entra em sua fase final, tendo seu encerramento previsto para meados de maio. Na Argentina, a colheita já passa de 50% da área colhida. Desta forma, a atenção dos participantes do mercado gradualmente se volta para o continente norte-americano, principalmente em relação à real área de plantio de soja estadunidense, bem como para o comportamento climático nesta região.
Em termos de câmbio o que é ruim para a soja é péssimo para o café, a carne e o suco de laranja. O café teve queda acentuada na Bolsa de Nova York e o mercado interno acusou o impacto. Nas praças entre Cornélio Procópio e Paranavaí praticamente ninguém comprou nem vende.
Mas o café está cheio de esperanças. O governo deve anunciar na próxima semana o leilão de contratos de opção que vai elever o preço para cerca de R$ 230,00/saca do mesmo café que hoje não passa dos R$ 165,00.
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