Mercado está estagnado desde 2007
Para aumentar a produtividade não há dúvidas que é preciso investir na propriedade. O problema, segundo o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovino de Corte (ANPBC), Alexandre Turquino, é que não existe financiamentos para a cadeia a longo prazo, o que acaba inibindo aplicação de recursos. "Tudo na pecuária de corte acontece a longo prazo, o pecuarista só vai começar a ter retorno em sete ou oito anos", salienta ele.
Além disso, as linhas oferecem valores baixíssimos, com o custeio pecuário girando em torno de R$ 200 mil por CPF. "A reforma de um pasto gira de R$ 3 mil a R$ 4 mil por alqueire. Há também a questão da burocracia para pegar este crédito, apresentação de documentos que acabam emperrando e desanimando os pecuaristas", avalia Turquino.
Em relação ao custo de produção, o presidente da ANPBC explica que tem um crescimento entre 15% a 20% anualmente. Ele cita o exemplo do sal mineral para gado, um dos principais custos para o pecuarista, que nos "últimos 60 dias subiu em torno de 15%". "Já o preço da arroba está estagnada nos últimos seis anos, variando apenas entre R$ 90 e R$ 100. Em alguns estados como o Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo a pecuária está perdendo área para culturas como a soja e a cana-de-açúcar", complementa.
Para o pecuarista, esta estagnação também está relacionada com o mercado nas mãos de poucos frigoríficos, principalmente nos estados de grande produção como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. "Nestes estados, 90% do abate são dominados por dois frigoríficos. Eles segurando o mercado e acabam enfraquecendo toda a cadeia". (V.L.)





