São Paulo - O medo de ficar com mercadoria encalhada deve fazer com que as lojas sejam mais agressivas neste fim de ano. Como o emprego cresceu e a renda parou de cair, a saída é buscar novos consumidores que até pouco tempo atrás estavam desempregados, mas voltaram a trabalhar e podem assumir dívidas, diz o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) Emílio Alfieri.
''A opção das lojas para ampliar as vendas neste fim de ano é não dar mais crédito para a mesma pessoa'', diz o economista. Isso explica, de certa forma, a corrida das redes para abrir lojas em bairros da periferia da cidade, nas regiões de baixa renda. Dados do Ministério do Trabalho mostram que a maioria dos empregos criados neste ano paga salários mensais de até três mínimos, portanto para a população de baixa renda. É essa faixa de clientes que as lojas querem ter como novos crediaristas.
Os números da ACSP mostram que a inadimplência está sob controle, mas o resultado de setembro fez acender sinal de alerta no mercado. No mês passado, pela primeira vez no ano, o ritmo de crescimento dos carnês inadimplentes foi maior do que os carnês reabilitados em relação a setembro de 2003. Enquanto o volume de carnês com prestações em atraso cresceu 8,1% ante o ano passado, o número de crediários inadimplentes recuperados aumentou 6,1% no mesmo período.
A rede Casas Bahia, uma das principais no atendimento a consumidores de baixa renda, diz que a inadimplência não aumentou. Mas um dado relevante observado pela empresa mostra que a capacidade de endividamento diminuiu. Até julho, de cada 100 pessoas que buscavam crédito, 15 eram rejeitadas. Agora esse índice está em 19. (AE)

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