Nova York O estrategista senior de renda fixa para América Latina do Banco Morgan Stanley, Jaime Valdívia, disse à Agência Estado que o nome do ex-presidente mundial do BankBoston, Henrique Meirelles, indicado para a presidência do Banco Central, não é forte o suficiente para elevar a recomendação da dívida brasileira, hoje em underweight (peso abaixo da média). ''Nós desejamos ao senhor Meirelles tudo de bom, mas o nome dele não é forte o suficiente para elevarmos a nossa recomendação imediatamente. Vamos manter a mente aberta e se as políticas que ele adotar forem sólidas e se ele indicar uma forte diretoria para assessorá-lo, então estaremos mais do que dispostos a reconsiderar nossa posição'', afirmou Valdívia.
Na semana passada, Valdívia havia distribuído notas aos clientes do Morgan Stanley informando que iria elevar a recomendação do Brasil para ''marketweight'' (peso na média), se fosse nomeado um presidente do BC com experiência em política monetária, o que aumentaria as chances de que as políticas do BC resolveriam as fraquezas dos fundamentos de crédito.
Wall Street A indicação de Meirelles para presidir o BC foi recebida com ressalvas por vários analistas em Wall Street. Não que lhe faltassem elogios ao currículo como banqueiro e acadêmico, mas sua indicação suscitou dúvidas. ''É uma boa indicação, um nome forte, mas o problema é que hoje Meirelles escolheu a profissão de político. Acho isso um mau precedente o Banco Central ser presidido por um político. Ele pode até pedir demissão da Câmara, mas ele já vestiu a camisa do político'', disse o economista sênior para América Latina do banco Lehman Brothers, Paulo Vieira da Cunha.
O diretor de pesquisa para América Latina do banco WestLB, John Welch, classificou o nome de Meirelles como apenas ''razoável''. ''Todos os que estavam sendo cogitados para o cargo eram nomes aceitáveis, mas sei que Meirelles não é uma pessoa com experiência em política monetária. Ele tem um perfil diferente dos outros, isto é, um banqueiro e os estudos acadêmicos dele eram sobre bancos e não política monetária'', disse Welch. ''O mais importante, então, é saber quem ele vai indicar para diretor de Política Monetária, além de outros diretores.''
O gestor de fundos para mercados emergentes da Pacific Investment Management Company (Pimco), Mohamed El-Erian, disse ter sido boa a indicação de Meirelles. ''Não o conheço, mas sei da história dele como executivo do BankBoston. É um bom nome. Traz para o cargo uma experiência doméstica e internacional das questões bancárias, algo que o Brasil precisa neste momento. Contudo, é importante que ele mantenha uma equipe forte de diretores técnicos, especialmente no que diz respeito à questões de política monetária'', afirmou.
A economista sênior para América Latina do banco Bear Stearns, Emy Shayo, disse que a escolha de Meirelles para o Banco Central é boa para o momento atual. ''Agora é preciso ver como será a relação dele (Meirelles) com o PT e quem serão os diretores dele. Meirelles é reconhecidamente um bom administrador, mas é preciso esperar ver quem serão os técnicos'', avaliou.

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