Mercado espera semana mais tranquila
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domingo, 09 de junho de 2002
Agência Folha 
São Paulo Depois da histeria da semana passada, o mercado espera dias menos tensos. A avaliação é que houve exagero no pessimismo ao precificar ativos. O exercício do índice futuro na quarta-feira e a melhora do desempenho do candidato governista José Serra na pesquisa do Datafolha publicada ontem podem incrementar os negócios, segundo analistas.
Eles afirmam, entretanto, que a tendência principal para a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ainda é negativa. O índice Bovespa possivelmente suba, mas o gráfico (com o histórico das cotações) ainda não confirma uma recuperação expressiva, afirma Luiz Antônio Vaz das Neves, diretor da corretora Planner.
A Bolsa deve se recuperar gradualmente. A melhora mais significativa deverá ser nos títulos da dívida, diz Beto Scretas, da Schroders Brasil. O isolamento de Serra em segundo lugar nas intenções de voto, (com 21%, contra 17% na sondagem anterior) e a queda de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 43% para 40%, eram esperados por gestores que dizem temer pela continuidade da política econômica num governo oposicionista.
Na sexta-feira, a conferência do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, a agentes financeiros do exterior, e a expectativa de mudança no quadro eleitoral, reverteram o exagero na precificação dos ativos.
A Bolsa fechou em alta de 1,4%, o dólar caiu 0,90% e o risco-país recuou para 1.181 pontos. A relação mais branda, porém firme, do BC com o mercado, e o volume de saques dos fundos não tão expressivo acalmaram os mercados e os preços dos ativos devem recuar, diz Scretas.
Para analistas, Fraga deu dois recados na conferência: que o BC tem bala na agulha para intervir no câmbio, se considerar necessário, e, mantida a queda do dólar, do risco-país e da inflação, a taxa de juros básicos da economia também deve cair.
Para uma corrente de gestores, a mudança de humor na Bolsa foi impulsionada também pelo trabalho para o vencimento de índice futuro, que se aproxima. Os vendidos (apesar de apostar na queda das cotações) entram comprando um pouco para ajudar o mercado a subir, e vender melhor no próximo exercício, diz Luiz Antônio Vaz das Neves, diretor da corretora Planner.
Alguns papéis tiveram um comportamento estranho. Globo Cabo e Telemar foram pressionadas na sexta-feira, na contramão da tendência e puxaram a alta de outras ações, segundo Neves.
A pressão começou há algumas semanas. Globo Cabo subiu muito já em maio, enquanto a Bolsa devolveu quase 2%. Na semana passada, caiu cerca de 5%, contra 4,5% de desvalorização do índice, completa Scretas. Neste último período, Telemar PN perdeu 1,47%. No mês passado, o ganho foi de 6,59%.
Em meio à histeria, alguns papéis eram destroçados, enquanto a Vale do Rio Doce era reverenciada. A excessiva penalização recaiu sobre empresas muito endividadas em dólar.


