Mercado espera queda de juro mais lenta
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segunda-feira, 07 de dezembro de 1998
Agência Estado 
A tranquilidade que permeou o mercado financeiro em novembro foi substituída na semana passada pela apreensão, com a rejeição, pelos deputados, da medida provisória que elevava a contribuição previdenciária dos servidores ativos e estendia a cobrança aos inativos. A primeira derrota do governo na luta para aprovar o pacote fiscal pode fazer com que o Banco Central (BC) diminua a velocidade de redução dos juros e provocar estragos na confiança do investidor estrangeiro no País.
Nesse cenário, a tendência é que as aplicações de renda fixa continuem oferecendo rendimento elevado, enquanto as Bolsas de Valores devem passar por fortes oscilações. Os mais pessimistas temem que a rejeição da MP dos servidores possa atrapalhar o acordo com o FMI, caso o governo não encontre outros expedientes que compensem a perda dos R$ 2,5 bilhões que seriam obtidos, em 1999, com a aprovação da proposta.
O economista-chefe do BankBoston, José Antonio Pena, trabalha com a previsão de que os juros anuais cheguem na virada do ano a um nível entre 28% e 30%, pois existe a possibilidade de que o BC reduza o ritmo de queda dos juros.
Para as Bolsas, Pena prevê um cenário de fortes oscilações em dezembro e não é exatamente otimista quanto às perspectivas do investimento em ações no início de 99, uma vez que os juros ainda estarão muito elevados e a economia atravessará um período de recessão. O quadro para as Bolsas tende a melhorar ao longo do ano que vem, desde que os juros estejam menores e o cenário externo ajude.
Por enquanto, é preciso cuidado com os juros. As taxas cobradas nas linhas de crédito de bancos e financeiras continuam estáveis, porém elevadas. As instituições financeiras ainda não repassaram para o consumidor a baixa de juros conduzida pelo Banco Central.


