Mercado espera queda de 0,50 ponto na taxa Selic
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terça-feira, 20 de janeiro de 2004
Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília - O mercado financeiro renovou as apostas em uma queda de apenas 0,50 ponto porcentual dos juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que começa hoje. A taxa seria reduzida dos atuais 16,50% para 16% ao ano na quarta-feira, quando será divulgada a decisão do Copom.
Se confirmada a previsão, a diminuição já será suficiente para trazer os juros nominais ao menor nível desde os 15,75% ao ano cobrados entre 21 de março e 18 de abril de 2001.
O conservadorismo das estimativas colhidas pelo BC veio acompanhado da elevação das previsões de inflação medida pelo IPCA para os meses de janeiro e fevereiro. Para fevereiro, as projeções foram elevadas de 0,60% para 0,65% mesmo antes do noticiário de fim de semana sobre pressões da indústria com o intuito de aumentar os preços em até 18%.
As expectativas de inflação de fevereiro também mostraram tendência de alta, ao subirem de 0,50% da semana passada para 0,55%. O tom mais sóbrio das previsões de inflação para fevereiro levou o mercado a adotar o discurso de ''parcimônia'' do BC também para o segundo mês do ano. As previsões de queda dos juros para aquele período ficaram no mesmo 0,50 ponto porcentual das estimativas para janeiro.
Com isso, o gradualismo predominaria e as taxas recuariam no mês de Carnaval de 16% para 15,50% ao ano, fazendo com que os juros nominais cheguem ao nível mais baixo desde os 15,25% do período entre 17 de janeiro e 21 de março de 2001.
O gradualismo do mercado foi dosado, no entanto, por um maior otimismo quanto ao rumo dos juros no médio prazo. As previsões de juros para o fim do ano recuaram de 13,85% para 13,50%, passando a embutir uma expectativa de queda das taxas no ano de 3 pontos porcentuais. Em caso de concretização desta hipótese, o tamanho do corte de juros acumulado desde junho do ano passado atingirá os 13 pontos porcentuais, depois de as taxas terem alcançado os 26,5% em fevereiro.
O otimismo em relação aos juros foi acompanhado por uma discreta diminuição das previsões de inflação para o ano, de 6% para 5,99%, um porcentual um pouco mais próximo dos 5,5% do centro da meta de inflação.


