Agência Estado
Anunciado o pacote fiscal, o mercado acompanha agora as negociações para aprovação das medidas pelo Congresso e as novidades sobre o acordo do País com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que pode garantir uma linha de crédito de US$ 45 bilhões e não de US$ 30 bilhões e ser divulgado esta semana. É a partir do desenrolar desses fatos que se vai delinear a trajetória dos juros daqui para a frente. A principal questão é saber quando e com que velocidade as taxas vão começar a cair.
Para o diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain, os juros elevados viraram moeda de troca nas negociações com o Congresso: as taxas só cairão à medida que as propostas forem aprovadas. É por conta dessa incerteza sobre quando os juros começarão a ser reduzidos que ele entende que os fundos de renda fixa DI ainda são as aplicações mais indicadas.
Como estão atrelados à oscilação do CDI (título trocado pelos bancos), os DI acompanham a variação dos juros. Allain não descarta que os juros fiquem na casa de 42% durante todo o mês de novembro. Ele acredita ainda que é possível que o BC continue elevando por mais algum tempo os juros do over em 0,10 ponto porcentual ao dia, como faz há várias semanas. Assim, a queda de juros embutida nos papéis prefixados pode ser menor do que a que efetivamente ocorrerá. Se isso acontecer, o investidor terá obtido um rendimento inferior ao que teria no fundo DI, mesmo que os juros caiam.
Na sexta-feira, o clima no mercado melhorou, com as notícias de que o pacote de ajuda ao Brasil poderá somar US$ 45 bilhões. E foi especialmente bem recebida pelos investidores a divulgação, pelo Grupo dos Sete (G-7), de uma reestruturação da arquitetura do sistema financeiro internacional, criando um fundo de contingência para ser utilizado por países que apresentem crises de liquidez. Além disso, o capital do FMI também será ampliado em US$ 90 bilhões, com contribuição dos integrantes do G-7.
Essas novidades são positivas para as Bolsas. Na sexta-feira, o mercado paulista fechou em alta de 7,79%%. Mas as perspectivas para esses mercados ainda são bastante indefinidas, já que não há fluxo de dinheiro novo para os pregões, condição fundamental para a alta consistente das ações. E, lembra Allain, do ponto de vista fundamentalista, o pacote fiscal é ruim para as Bolsas, por aumentar impostos e cortar gastos, levando a forte queda da atividade econômica. Mas a aprovação das medidas pelo Congresso e sua posterior adoção tendem a permitir a redução dos juros. ‘‘E a queda das taxas é algo muito favorável às Bolsas.’’ No entanto, enquanto os juros estiverem na casa de 42% ao ano, o investimento em ações só é recomendável para quem aplica por prazos muito longos.

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