Mercado espera pela sabatina de Fraga
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
A sabatina do economista Armínio Fraga Neto, indicado para a presidência do Banco Central, continua o principal foco de expectativa do mercado financeiro. O depoimento de Fraga, em data ainda a ser confirmada, tende, senão a clarear totalmente, a jogar um facho de luz sobre as incertezas do mercado em torno da condução das políticas cambial e de juros pelo BC sob novo comando.
Isso não é tudo, mas também não é pouco. O sentimento neste momento de transição é que inexiste uma política de juros e de dólar. Sobretudo para o câmbio, em que os preços do dólar estão sob regime de flutuação e acomodados em níveis bastante elevados em relação ao supostamente considerados de equilíbrio. A taxa de câmbio é um preço fundamental da economia e, como tal, as incertezas em torno dela criam instabilidade e inibem os negócios no mercado financeiro.
Uma definição da política cambial, em que o interesse maior está em saber se e em que nível de preços haverá intervenções do BC no mercado, e da política monetária será precedida pela revisão dos termos do acordo firmado pelo País com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O novo acordo, tudo indica, deve ser sacramentado em março e é com base nele que o BC deverá traçar e perseguir claramente as metas fiscais e as linhas de condução do câmbio e juros.
Mas que interesse existe no câmbio se o investidor não compra dólar senão no câmbio negro, que não saiu da condição de mercado marginal, mesmo com a forte turbulência no câmbio, e cuja cotação tem andado abaixo da do câmbio comercial? O fato é que a mudança na política cambial implica alteração na política monetária, em que os juros altos deixaram de ser instrumento de atração de capital estrangeiro para financiar o rombo nas contas externas.
A idéia agora é que o País obtenha os dólares de que necessita via superávit na balança comercial, exportando mais do que importando. Por aí, a tendência seria de queda das taxas de juros, até para reduzir o impacto sobre o endividamento do setor público. Mas essa é uma perspectiva que depende ainda do ajuste fiscal e do azeitamento das políticas cambial e monetária.


