O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deverá manter a trajetória de queda dos juros em reunião marcada para hoje, reduzindo a TBC (Taxa Básica do BC) de 19,75% para cerca de 19% anuais, segundo previsão do mercado financeiro. Desta vez, a expectativa em torno da reunião do Copom é menor do que em meses passados, pois a TBC perdeu boa parte da importância que tinha para balizar os juros de toda a economia. ‘‘A importância da TBC é menor do que em abril , disse Odair Abate, economista-chefe do Lloyds Bank, lembrando que as taxas vêm sendo definidas nas operações compromissadas que o BC faz diariamente.
‘‘Mesmo assim, não deixa de ser um sinalizador sobre os juros. Todas as previsões de mercado sobre a queda da TBC giram em torno de 19%. O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega (Consultoria Tendências) aposta em um percentual entre 18,75% e 19,25%. Marcelo Allain (banco BMC) e Abate prevêem 19%, e Carlos Guzzo (Pontual) estima uma TBC entre 18,6% e 18,9%.
Os analistas apostam em 19% justamente porque essa já é a taxa que o BC vem cobrando nos empréstimos diários de liquidez aos bancos por meio de operações compromissadas. Nessas operações, os bancos vendem títulos públicos ao BC por um dia, com compromisso de recompra no dia seguinte.
O BC retém os títulos e os bancos obtêm dinheiro para fechar o caixa. No dia seguinte, a operação é desfeita: o BC devolve o título e recebe o dinheiro de volta, acrescido dos juros. Até abril, a TBC tinha poder para influenciar os juros de toda a economia. Mas ela começou a perder força em maio, quando o Copom promoveu uma redução na taxa considerada exagerada pelo mercado. A partir de então, o BC praticamente abandonou a TBC e passou a definir os juros diariamente em operações do mercado aberto.
Esses analistas consideram remotas as chances de o governo promover no médio e longo prazos uma nova elevação nas taxas de juros, repetindo movimento de outubro do ano passado, no auge da crise asiática. ‘‘Isso só ocorreria em uma situação extrema, como uma fuga de US$ 10 bilhões em um ou dois dias , disse Guzzo. ‘‘Seria um tiro no pé, pois contaminaria o custo da dívida pública , disse Allain, lembrando que 58% da dívida interna tem juros pós-fixados.

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