Mercado espera manutenção dos juros
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terça-feira, 20 de maio de 2003
Agência Estado 
São Paulo - O Comitê de Política Monetária (Copom) pode anunciar hoje a manutenção dos juros, a Selic, no nível atual de 26,5%, mas o mercado já projeta que a redução da taxa não passa de junho, de jeito nenhum. Os juros futuros projetam uma queda de 0,5 pontos porcentuais da Selic na reunião do Copom do próximo mês. ''A situação externa é instável e os analistas não acreditam que haverá corte da Selic agora; mesmo assim, o mercado de juros continua otimista'', diz Maristella Ansanelli, economista da Tendências Consultoria Integrada.
Para Mário Mesquita, economista-chefe do ABN Amro, os juros futuros e as projeções da pesquisa semanal do Banco Central (as instituições estimam que a Selic estará em 22% no final do ano) mostram a aposta do mercado: o BC deverá entrar em um ritmo acelerado de cortes a partir de junho, para que a taxa básica encerre o ano com redução de pelo menos dois pontos.
Ontem, as taxas passaram por uma ''correção técnica'', acompanhando a piora do humor no mercado internacional, e fecharam em alta. ''Mas não há mudança na tendência: a curva dos juros, negativamente inclinada, ainda embute a queda acentuada da Selic nos próximos meses'', diz Maristella. Na BM&F, os contratos futuros de DI encerraram o dia com as seguintes taxas: DI de janeiro, 24,14% (contra 23,67% anteontem); DI de julho, 25,97% (26%); DI de outubro, 25% (24,66%); e DI de junho, 26,15% (26,14%).
Os contratos mostram uma mudança nas perspectivas em relação ao início do ano. Em 19 de fevereiro, por exemplo, os juros dos contratos para outubro estavam em 28,80%, e caíram para 25% ontem. Já houve, porém, mais otimismo. Em 18 de abril, os juros para outubro estavam em 24,30%, porque ainda havia fortes apostas de um corte da Selic na reunião do Copom de maio.
Mas, afinal, por que cortar os juros em junho e não agora? Para Marcelo Carvalho, economista-chefe da Itaú Corretora, duas tendências devem se consolidar até a próxima reunião do Copom. ''Espera-se que a inflação medida pelo IPCA mostre forte declínio em maio, deixando o BC mais confortável para cortar juros em junho'', diz Carvalho. Em abril, o IPCA foi de 1%, inferior ao de março, quando o índice fechou em 1,2%. ''O índice de abril anualizado, de 12%, ainda é muito superior à meta de inflação de 8,5%. Espera-se que o IPCA de maio seja de 0,5%, o que, anualizado, fica abaixo da meta.''
Além disso, acredita o economista, o BC pode se sentir mais ''encorajado'' em junho para mudar seu foco, concentrando-se na meta de inflação de 2004, de 5,5%.


