Mercado espera ''ambiente recessivo''
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terça-feira, 12 de janeiro de 1999
Vânia Casado 
Apesar do aumento de 19% na venda de máquinas agrícolas em 1998, os fabricantes não têm o que comemorar. Eles esperam um ambiente recessivo, sobretudo no primeiro semestre de 99 e estão pessimistas, com opiniões variadas sobre o desempenho do setor. As mais otimistas revelam que o setor vai repetir o mesmo resultado de 1998. Outros já falam em queda de 10% a 15% nas vendas de máquinas agrícolas em 99, informou Pérsio Pastri, vice-presidente da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea).
A falta de entusiasmo decorre do fato de que as vendas continuam fracas, explicou Pastri. A elevação nas vendas em 98 ocorreu sobre uma base muito pequena registrada em 1997. O setor está trabalhando com um índice de ociosidade de 50%, o mais altos no país. O recorde de vendas foi obtido em 1976, quando foram comercializadas 62.700 tratores e em 1986 ( quando foram vendidas 6.544 colheitadeiras.
Segundo a Anfávea, em 1998 foram vendidos 15.731 tratores produzidos no país, o que corresponde a metade do que precisaria ser comercializado para repor o sucateamento em que se encontra a frota nacional. Há uma demanda reprimida de pelo menos 15 mil tratores de 1.000 colheitadeiras por ano. Apenas para repor essa frota seria necessária a venda de 30 a 35 mil tratores for ano, informou Francesco Pallaro, diretor comercial da New Holland.
Os fabricantes de máquinas agrícolas iniciaram o ano de 1998 animados com as perspectivas desenhadas para o setor que se confirmaram durante todo o primeiro semestre do ano. Foram vendidos 8.410 tratores que corresponderam a uma elevação de 32,5% sobre as vendas registradas no primeiro semestre de 1997, que foram de 6.346 tratores. No segundo semestre, porém, o setor foi atingido em cheio pela crise da Rússia e, consequentemente, pelos juros altos. Com isso a perspectiva de manutenção do índice de crescimento foi frustrada e foram vendidos apenas 9.748 tratores, 3,9% a mais em relação ao segundo semestre de 97, quando foram vendidos 9.385 tratores.
No setor de colheitadeiras, foram vendidas 1.494 máquinas produzidas no país no primeiro semestre de 1998, o que corresponde a 63,8% acima das vendas registradas no mesmo período do ano anterior, que totalizaram 912 unidades. No segundo semestre de 98 foram vendidas 915 máquinas, um resultado 12,22% acima das 750 unidades vendidas no mesmo período de 97.
Para Pastri, estes números ainda modestos revelam que o agricultor brasileiro está carente de incentivos e de capital para modernizar suas máquinas e recuperar a competitividade com o mercado internacional. O agricultor sentiu essa necessidade e agiu rápido durante o primeiro semestre do ano passado. Mas não pode continuar com a reposição, em função da incerteza na economia e dos altos juros, disse. A resposta foi a redução na velocidade de recuperação dos investimentos conforme demonstraram os números.
Preocupada em reverter esta situação para 99, a Anfávea está se esforçando para estimular o mercado, criando facilidades para permitir a recuperação do parque de máquinas. Para isso, o setor conta com uma linha de crédito do Finame (Financaimento de máquinas agrícolas), que fixou os juros em 11,965% ao ano, sem atrelamento a outros indexadores que assustam o produtor, com um prazo de pagamento de cinco anos. Para Pastri, essa taxa é razoável se for comparada com os demais indexadores e financiamentos do setor agrícola.
Considerando que o mercado nacional e internacional deve continuar com demanda elevada por alimentos, Pastri acha razoável o investimento em mais tecnologia para aumentar a produtividade das lavouras. E um desses investimentos é a máquina agrícola, apontou.
New Holland Com vendas maiores, a New Holland fechou o ano com 22% de participação no mercado de tratores, com a venda de 4.082 unidades em 1998. E de 38,8 de participação no mercado de colheitadeiras, com a venda de 979 máquinas em 98, 28,3% a mais que em 1997, quando foram comercializadas 708 unidades. Pallaro atribuiu o resultado positivo à estabilização dos preços das commodities agrícolas. Ele se referiu principalmente aos produtores de arroz, cujos preços foram muito bons e, por isso, os investimentos foram maiores. Contribuiu para isso a combinação de atendimento rápido ao cliente e a disponibilidade de produtos adaptados à sua necessidade.


