Circularam no mercado finan ceiro ontem in formações de que nova data para o leilão de venda da Com panhia Para naense de Ener gia (Copel) já estaria marcada: 18 de dezembro. A informação consta do Relatório Reservado, um boletim editado no Rio de Janeiro que circula somente entre instituições financeiras de grande porte. O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, negou a informação.
Especulação ou não, o fato é que os investidores acreditaram na informação e passaram o dia ouriçados com a possibilidade de novo leilão. As ações da Copel ON registraram alta de até 6% durante o pregão de ontem e encerraram o dia cotadas em R$ 16,55, com alta de 4,76%. O motivo da alta teria sido a afirmação que constava no boletim, avaliou o analista Mohamed Talah Junior, da Century Gestão de Recursos.
A Folha apurou, junto às suas fontes de mercado, que os grandes grupos financeiros, que detêm o dinheiro para compra da estatal, estão dispostos a avaliar nova proposta de compra da estatal paranaense somente no começo do próximo ano.
Enquanto o mercado financeiro aguarda decisão oficial, o governo afinou o discurso em torno da polêmica sobre a venda da Copel. A um jornal paranaense, anteontem, o secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert, afirmou que ''vender a Copel agora seria precipitação''. Este discurso destoa das declarações do governador Jaime Lerner (PFL). Ele tem afirmado que o leilão da Copel será realizado ainda este ano.
Na terça-feira, em nota oficial divulgada pelo Palácio Iguaçu, Hubert afirmou que a frase atribuída a ele foi indevida. Ele teria dito que ''não há razão para afobação ou precipitação na definição de datas ou condições para a continuidade do processo de desestatização da Copel''. O secretário não concedeu entrevista à Folha.
Hubert disse, na nota oficial, que o grupo que estuda a divulgação de um novo edital de venda da Copel está avaliando, junto com os ''advisers'' (bancos que avaliaram a empresa), o melhor momento para a realização do leilão da estatal. Conforme assessoria do Palácio Iguaçu, ''a dinâmica do mercado internacional e o cenário econômico estão mudando rapidamente''. Se as condições para venda da estatal eram desfavoráveis no início do mês, agora já não são mais, observou a assessoria. (Colaborou Rosane Henn)

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