A estiagem que está ocorrendo na região Sul do País continua provocando oscilações no preço do feijão. Ontem o preço do feijão carioca chegou a R$ 80,00 a saca na ‘‘bolsinha’’ de cereais em São Paulo, e R$ 60,00 em várias praças no interior do Paraná. Para o presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Eugenio Stefanello, apesar da quebra de produção a safra de feijão é suficiente para abastecer o mercado. Ele alertou que na ‘‘mesma velocidade com que as cotações estão subindo, elas cairão’’.
Segundo a técnica do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura, Margorete Demarchi, o feijão já teve uma alta de 43% em São Paulo e de 22% ao produtor, em média, desde o dia 23 de novembro para cá. Segundo ela, os danos na produção do feijão das águas são irreversíveis e por isso o produtor que está segurando o produto. A técnica admite que as perdas serão maiores do que o índice de 29% anunciado até agora. Além da seca, a cultura vem sendo submetida a variações muito bruscas de temperatura, com calor durante o dia e queda de temperatura à noite que ‘‘ estressa muito as plantas’’.
A alta de preços ainda não bateu no varejo porque os supermercados haviam se estocado em meados de novembro, disse o corretor Marcelo Luders. Ele acrescentou que com as cotações atuais, os varejistas não conseguirão fazer a reposição tendo como base os preços de venda ao consumidor. O cerealista Edson de Oliveira Sisti, de Maringá, disse que a alta no preço do feijão inibiu a resposição de estoques. Segundo ele, está havendo muita especulação por parte de produtores e empacotadores e por isso eles ‘‘podem quebrar a cara’’. Da mesma forma que o preço do feijão subiu, poderá despencar, observou.
Esse comportamento revela que o produtor está na contramão do mercado, disse Stefanelo. Isso porque quando o preço está em alta, o produtor retém o produto. Quando atinge uma estabilidade, o produtor começa a desovar e o preço começa a cair. Para aproveitar os bons preços, os produtores desovam todo o estoque e o preço despenca de vez, explicou.
Essa especulação mostra que o governo não pode ficar sem estoques estratégicos como está ocorrendo, disse Stefanelo. Os estoques de feijão estão zerados em função da quebra de produção ocorrida no ano passado e também pelo fato de que o governo usou o estoque para programas sociais do Comunidade Solidária nos últimos dois anos. ‘‘ Para nós, governo, esta lição é crucial’’, resumiu. Para Stefanello, se o governo tivesse um estoque mínimo poderia combater esse tipo de especulação.

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