Mercado encerra semana com euforia
Agência Estado
De São Paulo
O dólar caiu ainda mais ontem, refletindo a boa recepção do mercado ao leilão de compra e venda de dólar a termo realizado na manhã pelo Banco Central. Para o BC, o leilão foi um sucesso. Para o mercado, há a expectativa de que o BC poderá fazer novos leilões ao longo de dezembro para que não falte liquidez às operações de captação de recursos típicas dessa época do ano. Embora um clima de otimismo tenha se instalado nas mesas de operações, há operadores que vêem um certo exagero nessa onda.
A cotação da moeda norte-americana fechou em baixa de 0,48% ontem, em R$ 1,8770. Na BM&F, os contratos de câmbio futuro caíram ainda mais, fechando em queda de 0,29% para janeiro (R$ 1 8900) e de 0,13% para fevereiro (R$ 1,9045).
Apesar do otimismo com a maneira como o Banco Central está resolvendo o problema de uma eventual escassez de recursos no bug do milênio, há operadores com opinião um pouco mais conservadora. Segundo um deles, o mercado usou o dólar como parâmetro exagerado para a economia, afirmou, complementando: O dólar é um parâmetro importante, mas é preciso ver também os fundamentos da economia, concluiu.
A Bolsa de Valores de São Paulo se cansou de bater recordes nesta sexta-feira. Foram fechadas hoje 28.231 transações, contra o recorde anterior, atingido no dia 8 de abril deste ano, de 27.601 negócios. Pelo segundo dia consecutivo, o recorde histórico de pontos também foi alcançado. Após subir 1,37%, o Ibovespa atingiu 14.408 pontos. Além disso, o volume de hoje foi o maior do ano, de R$ 1,25 bilhão.
A euforia se manteve pelas mesmas razões do dia anterior: o câmbio à vista continuou a cair e os contratos de juro e dólar futuro encerraram o dia apontando baixa das projeções. Atraídos pela escalada, os fundos de ações entraram com apetite nos negócios, que também contaram com a parceria de investidores estrangeiros.
A entrevista do secretário do Tesouro dos EUA, Lawrence
Summers, chegou a abalar um pouco a confiança dos investidores. Sobretudo quando ele alertou que seria melhor ter bons fundamentos do que contínuas intervenções no câmbio, quando lembrou da necessidade de a inflação manter queda e quando enfatizou a necessidade de o País seguir realizando reformas fiscais. Nesse momento, o Ibovespa ameaçou cortar ganhos, mas logo uma declaração os EUA estavam certos quando confiaram no Brasil dissipou qualquer mal-estar nos pregões.
Na verdade, Summers fez os contrapontos que o mercado costuma fazer quando baixa a bola da euforia. Por enquanto, ninguém quer falar em exagero. Prevalece a avaliação de que as bolsas estão apenas antecipando um ano de crescimento e estabilidade dos preços.
A inflação de novembro medida pelo IPC da Fipe ficou em 1,48%, mais alta do que havia previsto a própria instituição (1,40%), mas o mercado de juros nem ligou muito, embalado que está pela alegria da queda do dólar.





