Mercado emergente chinês é alvo de empresários do PR
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
Nem só por meio das commodities agrícolas a relação comercial entre Paraná e China pode ser estreitada. Outros empreendedores - dos mais variados setores - podem aproveitar a nova classe emergente chinesa, calculada em 300 milhões de pessoas, ávidas por consumo de produtos com valor agregado. Este foi um dos assuntos discutidos ontem em Londrina no seminário ''China em destaque: o que aprender com os chineses'', promovido pelo Sebrae/PR, e que reuniu em torno de 100 empresários da cidade. Durante a apresentação, foram discutidos aspectos importantes da gestão empresarial chinesa e como os brasileiros podem se beneficiar disso.
Os especialistas que conversaram com os empresários participaram há cerca de um mês do Global Leadership Program, um programa criado no ano passado que leva interessados para cursos no exterior com o intuito mostrar como funciona a economia destes países. A consultora do Sebrae, Rosângela Angonese, que coordenou o programa na China - que levou 23 empresários paranaenses ao oriente - explicou que a cultura empresarial chinesa é completamente diferente da brasileira e que a grande oportunidade agora está no segmento de produtos e serviços. ''Existem muitos produtos que podem ser explorados além das commodities, que eles vão continuar comprando de qualquer forma. A classe emergente chinesa quer consumir produtos de luxo, com qualidade e que levem a eles o nosso perfil ocidental'', relatou a especialista, que não consegue estimar o volume de negócios que o Estado pode realizar com a China neste segmento.
Para que o Paraná conheça o que esta classe chinesa busca consumir, não há outra alternativa a não ser estreitar o relacionamento com empresários de lá, que são bastante criteriosos com seus fornecedores. Além disso, trabalhar com produção em larga escala é fundamental para conseguir fechar negócios. ''Este é um grande desafio para nossas empresas. Não adianta negociar em pequenos volumes com eles'', avaliou Rosângela.
Para os pequenos empresários do Paraná, uma alternativa proposta pelo programa é realizar associações com grupos chineses, as chamadas ''joint ventures''. ''Nós visitamos inclusive a Vale, que está alocada na China há 20 anos e até eles trabalham através de joint ventures'', explicou a consultora do Sebrae/PR.
Outro ponto importante que pode ajudar no relacionamento e que dá credibilidade aos chineses é o aprimoramento deles no quesito tecnologia. O modelo de produzir cópias de baixa qualidade das grandes marcas mundiais está dando espaço para uma evolução tecnológica. ''As empresas de tecnologia possuem uma estrutura impressionante. Além disso, o governo chinês tem uma política que vislumbra expandir os negócios para o exterior'', ressaltou.
O empresário Victor Hugo Piiroja, presidente do VP Group Comunicação Integrada, e palestrante do evento, comentou que os empresários brasileiros devem aproveitar esta oportunidade de ascensão da classe emergente chinesa e atuar mais como vendedor do que como comprador. ''Temos que trabalhar a marca brasileira no exterior. Os chineses investem muito em relacionamento e querem fechar negócio rápido, são extremamente agressivos. Por isso a importância de estudar um pouco o mercado antes de se arriscar nele''.


