Londrina - Com superávit nas exportações de commodities agrícolas, o setor do agronegócio brasileiro está entre os mais beneficiados pela valorização do dólar em relação ao real. Mesmo com a queda dos preços no mercado internacional, os negócios continuam atrativos quando os valores são convertidos para a moeda brasileira. "Só o dólar salva", brinca Robson Mafioletti, assessor técnico do Sistema Ocepar, que concentra as cooperativas paranaenses.
Segundo ele, a soja está custando US$ 10 por buschel. Com o dólar a R$ 2,39 em 14 de fevereiro do ano passado, a commodity valia R$ 23,90 no Brasil. Na cotação atual, de R$ 2,84, a mesma quantidade de grãos está valendo R$ 28,40. O técnico explica que os preços internacionais caíram 30% no último ano, mas em contrapartida o dólar valorizou 20%, garantindo boa renda aos produtores. Além disso, a previsão é que a atual safra tenha bons resultados, visto que não houve graves intercorrências climáticas no Paraná. A preocupação, segundo ele, é com relação à próxima safra, quando os produtores vão sentir a alta no preço dos insumos importados, cotados em dólar.
Não é à toa que o agronegócio continua puxando as exportações brasileiras mesmo em tempos de déficit na balança comercial. Mafioletti explica que no ano passado, o Brasil - considerando todos os setores – exportou US$ 225,1 bilhões e importou US$ 229 bilhões, o que gerou o déficit. O setor do agronegócio, ao contrário, exportou US$ 96,7 bilhões e importou US$ 16,6 bilhões, fechando o ano com superávit de US$ 80,1 bilhões.
O resultado é bom também para as cooperativas paranaenses, que respondem por 46% das exportações cooperativistas brasileiras. Em 2013, elas exportaram US$ 2,31 bilhões, aumentando para US$ 2,4 bilhões no ano passado. Com a conversão para o real, o valor subiu de R$5,2 bilhões para R$ 6,7 bilhões, o que é bastante significativo, conforme explicou Gilson Martins, assessor técnico e econômico da Ocepar.
Ele lembra, porém, que não há motivo para euforia. "Os insumos vão subir e o custo do País também, diante da inflação de 6,5% no ano passado. Considerando o momento de crise, a sugestão é de cautela na questão financeira", aconselha.

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