MERCADO EM EBULIÇÃO
Agência Folha
De São Paulo
Indice Nasdaq que reúne empresas da Internet, biotecnolgia e computadores cai 13,6%, se recupera, mas fecha em baixa
As ações da nova economia norte-americana tomaram ontem um elevador expresso para o inferno e voltaram. Foi essa uma das frases mais repetidas ontem no mercado financeiro de Nova York para qualificar a queda de 13,6% e a posterior recuperação do índice Nasdaq Composite da Bolsa eletrônica norte-americana.
No final do dia, o índice fechou em queda de 1,77%, depois de corcovear como um cavalo bravo sedento de sangue, segundo o site de análise de mercados do The Wall Street Journal. Às 13h de Nova York as ações chegaram ao fundo do poço em meio a um pânico vendedor .
Os investidores não trocavam apenas suas ações da nova economia (Internet, biotecnologia e computadores), do Nasdaq, por ações ora mais seguras da velha economia, como ocorreu em outros dias queriam dinheiro ou compravam títulos da dívida do Tesouro norte-americano, papéis seguros e estáveis. Cotada pelo índice Dow Jones da Bolsa de Nova York, a velha economia chegou a cair mais de 4%, fechando em baixa de 0,51%.
Desde que atingiu o topo, no dia 10 de março, o Nasdaq passa por um período de volatilidade e já perdeu 20% de seu valor. Indicadores da economia japonesa, ameaça de mudanças na legislação sobre biotecnologia e o processo contra a Microsoft, tudo tem contribuído para detonar movimento de vendas de ações da nova economia.
Segundo analistas, o preço desses papéis estaria supervalorizado, em comparação com a média histórica. Isto é, a relação entre o preço das ações e o lucro das companhias que elas representam está num nível acima até de períodos que antecederam quebras no mercado de Nova York, como em 1929 e 1987.
Os investidores compram ações na esperança de ganhos de preços, que são instáveis, e não devido ao retorno em dividendos, que costumava ser a fonte de renda estável das ações nos EUA.
Uma baixa forte no mercado de ações pode afetar toda a economia. O aumento do patrimônio em ações das famílias e investidores o efeito-riqueza pode induzi-los a consumir mais e poupar menos para aposentadorias ou para a universidade dos filhos. Com a desvalorização das ações e com o empobrecimento contábil, os norte-americanos podem frear seus gastos e reduzir o ritmo de crescimento dos EUA.





