Uma concorrência desleal. É assim que os donos de videolocadoras em Londrina definem a disputa que vêm travando com o mercado ilegal de DVDs, disponíveis nos camelódromos, ruas e praças da cidade. A ''vítima'' mais recente é a Delta Vídeo Locadora, há 20 anos no mercado londrinense, que está fechando as portas de sua unidade na avenida JK, região central e de grande movimento no comércio.
Decepcionado, o empresário Odival Benedito de Matos aponta o responsável pela crise do setor. ''O problema principal é a pirataria, que, com a instalação do camelódromo, virou algo oficial, lícito, uma epidemia. O segmento de locadoras vai passar por um processo de enxugamento. Eu fechei, outro vai fechar, e por aí vai. Tudo em consequência de políticas erradas'', desabafa o comerciante. ''O comércio está sendo castigado pela informalidade e pela política social de um governo que não quer enxergar. Fechei uma loja, são sete empregos a menos na cidade'', justifica.
Os números correspondem à revolta de Matos. Segundo ele, até o final de 2004, a empresa nunca havia registrado queda no número de locações. Foram 17 anos de alta consecutiva. Em 2005, houve queda de 6,5%, e, no ano seguinte, a retração chegou a 36%, acendendo o alerta vermelho no estabelecimento. ''Não está valendo a pena investir neste segmento, então a gente achou melhor fechar. Vamos concentrar a atenção em uma loja só'', lamenta o empresário.
João Carlos Kulik, representante das produtoras Sony e Universal, atende Londrina, o norte pioneiro e parte do interior paulista. Ele afirma que a cidade era seu principal mercado até um ano e meio atrás, com 65% das vendas. Hoje, a fatia não passa dos 40%. ''Quem está fora de Londrina se assusta. A diferença para as outras cidades é que lá existe fiscalização e não têm camelódromos como aqui'', garante.
Outros donos de locadora confirmam o mau momento e o pessimismo do setor. ''O movimento está muito abaixo do esperado. A concorrência com este mercado informal é impossível de ser batida'', sentencia Luiz Carlos Kemp, proprietário de uma das franquias da 100% Vídeo em Londrina. Ele abriu a loja há oito meses, e já pensa em passá-la adiante. ''Comparados com a franquia de Maringá, nossa situação é péssima. Eles têm 60% da população de Londrina e a locação de DVDs é o dobro em relação à daqui'', informa.
Ariovaldo Costa Paulo, presidente do Conselho Superior da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), informa que uma iniciativa da Receita Federal, em parceria com as polícias civil e federal, freou o crescimento da atividade dos camelôs na cidade. ''A partir de 2004, foram feitas várias 'operações pente-fino' nos camelôs de rua de Maringá. No começo houve resistência, mas os arrastões feitos com frequência inibiram a proliferação, apesar de não terem resolvido completamente o problema'', relata.
O delegado da Polícia Federal em Londrina, Élcio Fuscolin, afirma que o órgão atua no combate ao contrabando e à produção de DVDs piratas de acordo com as oportunidades e denúncias que aparecem. ''Há dois meses, por exemplo, apreendemos milhares de CDs e DVDs piratas que estavam sendo produzidos em Jacarezinho e seriam mandados para Londrina''. Ele admite dificuldades estruturais para realizar operações nos camelódromos, mas diz que elas podem ser feitas ''a qualquer momento em estabelecimentos que estejam vendendo mercadoria ilegal''.

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