A Bolsa de Valores de São Paulo engrenou um movimento mais forte de queda ontem. O índice da carteira teórica paulista fechou em baixa de 1,98%, em 14.828 pontos, muito próximo da mínima do dia. O volume financeiro somou R$ 623 milhões. Segundo operadores, uma série de dúvidas acentuou a realização de lucros, sobretudo no que se refere ao detalhamento das regras do racionamento de energia – a entrevista coletiva de Pedro Parente sobre o tema ainda não havia começado quando o pregão terminou.
Também preocupou a reunião do Copom. Desta vez, o mercado não tem parâmetros para tentar adivinhar o peso que o choque de oferta de energia terá na decisão sobre a taxa Selic. A maioria das apostas ainda converge para um aumento de 0,5 ponto porcentual, mas aqui e ali surgiram nesta tarde suspeitas de que o Copom poderá tomar uma atitude mais drástica para enfrentar o ainda desconhecido efeito do racionamento sobre a atividade econômica do País.
Foram ainda reavivados temores de que Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, acuados pelo processo de cassação, possam a vir a público e revelar supostos bastidores que envolveriam negativamente o presidente Fernando Henrique e sua equipe. Por fim, analistas citaram a importante resistência dos 15 mil pontos do índice que, sempre que alcançada, chama vendas.
As projeções de juros futuros voltaram a subir nesta terça-feira, às vésperas da segunda parte da reunião do Copom e da reunião do Conselho de Ética do Senado que irá decidir o destino político dos senadores José Arruda e Antonio Carlos Magalhães, hoje um desafeto de FHC, mas que foi durante anos um dos principais líderes da base aliada no Congresso.
Esses boatos uniram-se a alguns fatores que já vinham pressionando o mercado desde o período da manhã. Entre eles a expectativa de que o Copom deverá, mesmo, anunciar hoje uma nova elevação da taxa Selic, atualmente em 16,25% ao ano. A aposta majoritária é de uma alta de 0,5 ponto porcentual. Mas ontem houve quem chegasse a prever um aumento de 0,75 ponto.
Pesam nessa expectativa: 1) aumento das pressões inflacionárias, que teve ontem outra notícia negativa nessa área, como o aumento da tarifa de água pela Sabesp a partir de 1º de junho; 2) preços internacionais do petróleo, que mantêm-se em níveis elevados ; 3) impactos do racionamento de energia.
No encerramento dos negócios, as projeções dos juros futuros estavam assim: DI de outubro em 20,67%, ante 20,10% anteontem; DI de julho em 18,03% ante 17,77% na segunda-feira. E o DI a termo de um ano estava em 22,54%, ante 22,10% no fechamento de anteontem.
O dólar comercial inverteu de mão à tarde e fechou em alta de 0,22%, vendido a R$ 2,324.
(Márcia Pinheiro, Mario Rocha e Silvana Rocha)

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