Brasília A queda na cotação do dólar nas últimas semanas não foi suficiente para mudar o pessimismo do mercado financeiro em relação ao comportamento da inflação em 2003. As expectativas para a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2003 aumentou de 11% para 11,23% na pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) com um grupo de cem instituições financeiras e empresas de consultoria. As estimativas para 2004, entretanto, ficaram estáveis nos mesmos 8% da pesquisa anterior. As previsões para janeiro subiram de 1,57% para 1,78%.
As projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003 também subiram de 1,93% para 1,96%. O novo porcentual, entretanto, ainda está aquém dos 2,8% projetados pelo BC em seu último Relatório de Inflação, divulgado em 30 de dezembro. As previsões de expansão do PIB para 2004 ficaram estáveis em 3%.
O mercado continua tendo uma avaliação positiva sobre as contas externas. As estimativas de investimento direto estrangeiro para este e o próximo ano também ficaram estáveis em US$ 13 bilhões e US$ 15 bilhões, respectivamente.
A estimativa para o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos de 2003 recuou de US$ 5,90 bilhões para US$ 5,60 bilhões, valor ainda menor que os US$ 6,557 bilhões (1,66% do PIB) projetados pelo Departamento Econômico (Depec) do BC em dezembro do ano passado. As estimativas de superávit da balança comercial para 2003 recuaram, ao mesmo tempo, de US$ 15,50 bilhões para US$ 15,30 bilhões.
As expectativas para o superávit primário do setor público em 2003 aumentaram de 3,77% do PIB para 3,80% do PIB e em 2004 as previsões de superávit ficaram estáveis em 3,75% do PIB.
Para o mercado, a taxa média de câmbio em 2003 subirá de R$ 3,50 para R$ 3,51. Ao final do ano, o dólar custaria menos do que na semana passada. As estimativas caíram de R$ 3,70 para R$ 3,65. As previsões para a taxa média de câmbio do próximo ano recuaram, na mesma pesquisa, de R$ 3,70 para R$ 3,68. Mas ao final de 2004, os bancos e empresas de consultoria estimam que a cotação chegará a R$ 3,80.
O mercado também não aposta em uma queda acentuada dos juros esse ano. A mediana das expectativas de mercado para a taxa média de juros (Selic) em 2003 subiram de 22,40% para 22,50%. Redução mesmo só no próximo ano, quando as estimativas caíram, na mesma pesquisa, de 18,35% para 18,15%. As previsões de Selic para o fim deste ano ficaram estáveis em 20%, cinco pontos porcentuais abaixo da atual taxa. As estimativas para o final de 2004 recuaram de 17,15% para 17%.

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