Mercado eleva projeção de IPCA para 2004 e 2005
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quarta-feira, 03 de novembro de 2004
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília O aumento da taxa básica de juros em outubro não foi suficiente para que o mercado financeiro melhorasse sua expectativa em relação à inflação deste e do próximo ano. Para 2005, as projeções de mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice usado como parâmetro pelo governo, voltaram a subir e passaram dos 5,89% da semana passada para 5,90%, na pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) com instituições financeiras e empresas de consultoria. Apesar de a meta oficial ser uma inflação de 4,5% no próximo ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) já admite que irá perseguir o porcentual de 5,1%.
Foi justamente esse pessimismo do mercado financeiro em relação ao comportamento da inflação um dos fatores alegados pelo Copom para justificar o aumento da Selic em 0,5 ponto porcentual. A outra razão é o aumento dos preços do petróleo no mercado internacional. A elevação das expectativas de inflação para 2005 também coincidiu com um aumento das próprias projeções de mercado para os juros em novembro e no fim do ano.
As estimativas de taxa de juros para o corrente ano passaram dos 16,75% da pesquisa anterior para 17,25%. A previsão embute uma expectativa de elevação dos juros de mais 0,50 ponto porcentual na reunião do Copom deste mês. As previsões para o fim do ano aumentaram, ao mesmo tempo, de 17% para 17,50%. Neste caso, a taxa de juros subiria apenas 0,25 ponto porcentual em dezembro, ao contrário do que esperam alguns analistas de mercado, que trabalham com hipótese de nova alta de 0,50 ponto porcentual em dezembro. As mudanças, entretanto, não afetaram as estimativas de juros para o fim de 2005, que continuaram em 15,50% pela terceira semana consecutiva.
A pesquisa do BC também registrou uma piora das expectativas de IPCA para 2004. As projeções, de acordo com os dados da pesquisa, passaram dos 7,18% da semana passara para 7,20%. Apesar da alta, o porcentual ainda é inferior aos 7,31% estimados há quatro semanas. As expectativas de IPCA em 12 meses à frente aumentaram pela segunda semana consecutiva e passaram dos 6,21% da pesquisa anterior para 6,23%.
PIB As previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano ficaram estáveis, na mesma pesquisa, em 4,56%. A estabilidade veio depois de duas semanas consecutivas de elevação das previsões de crescimento do PIB para 2004. As estimativas para 2005 seguiram a mesma tendência e ficaram nos mesmos 3,50% da pesquisa anterior. Antes da decisão do Copom de elevar os juros em 0,50 ponto porcentual, as projeções de expansão do PIB ainda estavam em 3,60%.
As estimativas de dívida líquida do setor público para este e o próximo ano, por sua vez, ficaram estáveis em 55% e 54% do PIB. A previsão para 2004 é mais pessimista do que a do próprio BC, que trabalha com a possibilidade de a dívida fechar o ano em 54% do PIB. As projeções de mercado para o superávit da balança comercial neste ano subiram de US$ 32,63 bilhões para US$ 32,95 bilhões. Para 2005, as estimativas ficaram estáveis em US$ 27 bilhões.


