Mercado eleva projeção de inflação anual
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segunda-feira, 07 de março de 2005
Adriana Fernandes<br>Agência Estado 
Brasília - O reajuste dos preços das passagens de ônibus em São Paulo é a principal explicação para a ''virada'' de humor do mercado financeiro, que voltou a projetar aumento da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) este ano, após três semanas consecutivas de queda. A estimativa para o IPCA de 2005, coletada na pesquisa semanal Focus do Banco Central (BC), subiu de 5,68% para 5,72%.
Como consequência dessa elevação, a maioria do mercado passou a apostar numa alta de 0,50 ponto porcentual da taxa de juros básica, a Selic, na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom). Na semana passada, a maioria previa que a Selic subiria 0,25 ponto porcentual, passando dos atuais 18,75% para 19% ao ano. Agora, os analistas estimam que a Selic subirá para 19,25%.
De acordo com analistas, a elevação das projeções de inflação refletiu o reajuste de 17,65% das passagens de ônibus em São Paulo, que entrou em vigor sábado, antes do esperado. Por isso, as suas projeções do IPCA para março saltaram de 0,45% para 0,55% na pesquisa do BC, que coleta as previsões de cerca de 100 instituições e consultorias do mercado. A expectativa para a inflação dos próximos 12 meses também teve o mesmo comportamento de alta, passando de 5,52% para 5,59%. Para fevereiro (cujo resultado oficial será divulgado na sexta-feira, o mercado elevou sua projeção de IPCA de 0,57% para 0,60%.
A previsão do IPCA para 2005 continua acima da meta do BC de 5,1%, mas os dados da pesquisa Focus divulgados ontem não chegaram a ter influência no comportamento dos contratos de juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), como geralmente ocorre. O mercado financeiro manteve a sua projeção de IPCA em 5% para a inflação de 2006. A projeção permanece acima do centro da meta de inflação do próximo ano, de 4,50%.
A pesquisa mostrou também que o mercado elevou mais uma vez as suas projeções de superávit da balança comercial em 2005. Segundo os dados, a expectativa de saldo comercial subiu de US$ 27 bilhões para US$ 27,09 bilhões. Há quatro semanas, a projeção de superávit comercial era de US$ 26,49 bilhões. Para 2006, o mercado elevou as projeções de US$ 24 bilhões para US$ 25 bilhões.
O aumento das projeções de superávit comercial ocorreu a despeito de os analistas terem mantido estável em R$ 2,80 a expectativa de taxa de câmbio para 2005. Para março, as expectativa de fechamento da taxa de câmbio caiu de R$ 2,64 para R$ 2,63. Os analistas mantiveram em R$ 3,00 a projeção de taxa de câmbio no final de 2006. Com a melhora da balança comercial, o mercado aumentou de US$ 3,50 bilhões para US$ 4 bilhões a projeção de superávit na conta de transações correntes do balanço do pagamento. Para 2006, a projeção de saldo em transações correntes foi mantida em US$ 530 milhões.
A pesquisa, porém mostrou uma redução das previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e em 2006. A estimativa de alta do PIB este ano caiu de 3,70% para 3,69%. Para 2006, a expectativa de crescimento caiu de 3,85% para 3,80%. Há quatro semanas, a projeção de elevação do PIB no próximo ano era de 4%.


